13 de março de 2018

Drácula - Bram Stoker



Se tem um clássico de terror que todo mundo deveria ler, com certeza, é Drácula, de Bram Stoker. É difícil falar desta obra por causa das diversas adaptações do próprio Drácula e do mito que ele ajudou a fixar no imaginário popular.

O livro é uma transcrição de cartas e diários dos personagens da história. Adoro esse recurso, acho que ele nos dá uma visão mais completa dos sentimentos e percepções de cada um e uma riqueza de detalhes muito gostosa de conhecer.
O enredo tem seu inicio com a viagem de Jonathan Harker ao castelo de Dracula, na Transilvânia. Ele é um jovem advogado e sua viagem tem o intuito de auxiliar o conde em transações jurídicas relativas a aquisição de propriedades na cidade de Londres. Aos poucos, Jonathan percebe que há algo de errado com seu anfitrião e o castelo onde está. Se vê sem saída quando da partida do conde rumo a Londres, o deixando para trás. Numa tentativa desesperada, ele consegue escapar e voltar para Londres e para sua noiva, Wilhelmina (ou simplesmente Mina).
Infelizmente, o destino do jovem não se desvincilha tão fácil do de Drácula. O que poderia ser uma conexão macabra entre os dois piora ao mudar o foco de Jonathan para Mina. A influência que o Conde consegue sobre ela e os desígnios sombrios dele para seu destino amedrontam não só seu noivo, mas todos os amigos que os cercam.

O livro tem diversos méritos e, apesar de ser um romance gótico (com uma donzela em perigo e algumas passagens que podem ser consideradas bem machistas), apresenta uma figura feminina principal admirada pela inteligência e perspicácia, que tem um papel importantíssimo na história. Mina é quem liga pontos imprescindíveis da investigação, que inspira os homens com sua coragem e que domina coisas como a datilografia, que mesmo entre os homens da época era uma habilidade notável.
Além disso, a construção das tramas e subtramas é feita magistralmente. Fatos que não tem correlação, a princípio, se mostram intrincados posteriormente. As coisas vão se amarrando uma a uma e nada é colocado em vão, muito menos de qualquer forma. A apresentação dos personagens, até os secundários, é muito bem feita, nos deixando curiosos pelas próximas aparições não só do grupo de "mocinhos". Inclusive, as passagens em que são narradas as mudanças de comportamento de Renfield (um paciente do hospício em que trabalha um dos mocinhos) estão entre as minhas favoritas.
Outro ponto que quero destacar sobre o livro é primeira aparição do maior antagonista dos vampiros de todos os tempos, o professor Van Hellsing. Ele é apresentado neste livro e tem papel de destaque no desenrolar da trama. Entretanto, creio que sua criação foi inspirada em um personagem do conto Carmilla, assim como as sedutoras mulheres vampiras do castelo do conde.


Drácula é uma obra prima e  o que unificou o mito do vampiro. Muitos filmes, livros, séries, jogos e músicas foram inspirados nele. Algumas adaptações cinematográficas não conseguiram usar os nomes dos personagens devido os direitos autorais, outras modificaram mais a essência dos personagens, dando ao conde sentimentos mais humanos e até uma redenção, outras o retrataram como o monstro descrito por Bram Stoker (obrigada, Penny Dreadfull!). Mais ou menos fieis, pelo menos 3 versões do clássico para as telonas são amadas.
Quanto as músicas, a influência de Drácula é bem abrangente. Temos bandas que adotaram o estilo vampiresco, como o Type O Negative, Blutengel e Cradle of Filth, aquelas que têm referência no próprio nome, como Nosferatu e aquelas que tem músicas inspiradas no romance de Bram Stoker ou nos filmes derivados dele, como o clássico "Transilvanian Hunger" do Dakthrone, "Dracula" de Bruce Dickinson, "Dracula" da banda Iced Earth e "Lovesick for Mina", da já mencionada Cradle of Filth. Esta última banda figura entre as minhas favoritas porque traz em suas músicas melodias incríveis e uma abundância de referências em suas letras.
No caso de "Lovesick For Mina", a letra composta por Dani Filth traz a voz do próprio conde, apesar de não mencionar seu nome em nenhum momento. Ela narra a "doença" do vampiro, obcecado por Mina. Algumas partes falam da "hora mais escura", pouco antes do amanhecer e do crepúsculo. Ambos são muito importantes na história pois são os momentos de menor e maior influência do conde sobre Mina. Pelo teor da letra, vemos que a música é inspirada muito mais nos filmes do que no próprio livro, já que foram eles, especificamente o de Fracis Ford Coppola (1992) que retratou Mina como a reencarnação da esposa de Drácula. Em uma parte da música, inclusive, ele cita "Ellen", nome que Mina recebeu na adaptação de Murnau (Nosferatu -1922). As melodias, os riffs de guitarra e o vocal passional de Dani transbordam a música de sentimentos e, quem já viu os filmes (especialmente o de Coppola) vai conseguir sentir bem a aura do filme.


Me conta aí nos comentários se você já leu Drácula, se conhece alguma música inspirada no livro ou se tem algo para acrescentar ao post ou alguma sugestão também!
Beijão e até mais!


    Share on Facebook Tweet about this on Twitter Share on Google+ Pin on Pinterest Share on Tumblr Digg this Share on LinkedIn

0 comentários :

Postar um comentário