3 de novembro de 2016

Doutor Estranho

Hoje, mais uma vez, venho falar de longa metragem, porém dessa vez vamos sair do gênero de terror e entrar no universo de super heróis Marvel com “Doutor Estranho”.
Neste filme, o universo cinematográfico da Marvel, que já contava com humanos muito poderosos, alguns com mutações genéticas e até semideuses, agora ganha magia e distorções na realidade e no tempo.
A história traz a trajetória de Stephen Vincent Strange, um neurocirurgião renomado e que, ciente de seu brilhantismo como profissional, cultiva um ego inflado e uma grande arrogância. Sua vida muda quando sofre um terrível acidente e perde o controle pleno dos movimentos das mãos, suas principais ferramentas de trabalho.
Após gastar sua fortuna com tratamentos modernos em busca de recuperar suas capacidades e não obter sucesso, apela para a busca alternativa de cura e segue para a cidade longínqua de Kamat-Taj. Lá, encontra um grupo de feiticeiros que mudarão para sempre seus paradigmas e percepções sobre a vida, o Universo e tudo mais.
A partir daí, o cético doutor começa sua jornada do herói através de portais interdimensionais e realidades extraordinárias, distorcidas ou espelhadas, para se transformar num dos magos mais poderosos e habilidosos do universo.
Acho que a escolha dos atores foi muito acertada em todas as escalas. Benedict Cumberbatch é um ator extremamente carismático e consegue passar bem a essência do personagem: arrogante e insensível, a princípio, mas que ainda consegue ser simpatizado. O espectador consegue ser  convencido por sua mudança gradativa, que humaniza o personagem ao passo em que ele vai se conscientizando dos segredos e grandezas do universo. Tilda Swinton também é brilhante em sua interpretação da anciã, que, mesmo sendo uma das magas mais poderosas do universo, consegue transmitir leveza e simpatia.
Visualmente falando, acredito que Doutor Estranho é o melhor filme Marvel. Os portais, usos da magia, realidades distorcidas e mesmo as batalhas travadas com esses recursos são encher os olhos. A psicodelia nas cores e cenas realmente impressiona e proporciona tanta imersão que até te deixa meio tonto. Fora isso, ainda tem os recursos da narrativa e a simbologia atribuída a alguns elementos que conferem ao final uma carga extra de emoção e significado.

Um dos pontos fracos do filme talvez seja a pouca importância do vilão, que embora tenha deixado suas motivações implícitas e tenha sido muito bem interpretado por Mads Mikkelsen,  não empolga ou preocupa muito. Ainda acho que funciona bem para o filme, mas se o vilão fosse mais poderoso, o filme poderia ter sido ainda melhor.

“Doutor Estranho” tem um tom um pouco diferente dos outros filmes da Marvel (é um pouco mais sério, mas não tão denso quanto Capitão América -Soldado Invernal). Ainda assim, conta com os alívios cômicos consagrados pelo estúdio e acho que estes estão bem encaixados na narrativa. Entretanto, acho que este pode ser outro ponto que pode gerar uma controvérsia.

Um ponto que não dá pra ignorar são as semelhanças dos aspectos superficiais deste filme com o primeiro Homem de Ferro. Os dois eram homens ricos, geniais, bem sucedidos e, por isso arrogantes, que após sofrerem um trauma são expostos a uma nova realidade e se tornam mais poderosos conforme evoluem como pessoa. Além disso, os protagonistas são interpretados por atores extremamente competentes e carismáticos. No mais, acho que Doutor Estranho é um elemento peculiar e inovador que pode ser muito bem aproveitado no mundo dos vingadores. Se isso vai acontecer, só saberemos daqui a um tempo, mas a primeira cena pós créditos já dá uma boa pista.

Eu adorei o filme. Achei super empolgante, bem feito, com um roteiro que apresenta muito bem o personagem e te faz sair do cinema adorando o Doutor Estranho. Além disso e das atuações, a direção de Scott Derrickson merece muito destaque, especialmente, por ter alcançado uma dosagem muito equilibrada de realidade e sobrenatural, que estrutura bem o filme e o deixa tão bom.

Vale muito a pena ir vê-lo no cinema e, eu mesma, pretendo ir ver novamente.


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