30 de outubro de 2016

#M.E.D.O. - Semana #4


Chegando na reta final do projeto #M.E.D.O. - Movie Everyday in October (clique aqui para ver os posts anteriores), os sete filmes desta semana tiveram como tema “Terror Contemporâneo”.
Para ver a lista dos filmes que vi e minhas impressões sobre eles, é só continuar lendo este post!


#1 A Bruxa (The Witch, 2015)
Esse filme gerou uma polêmica imensa quando saiu e ninguém que viu ficou indiferente a ele. De amor ou de ódio, as pessoas deram suas opiniões fervorosas na internet e, adianto, se você procura jump scares e um rítmo Hollywoodiano, esta não é uma escolha boa para você.
A história se passa na Nova Inglaterra no século XVII e começa com a família protagonista sendo expulsa da pequena comunidade onde viviam e tendo que deixá-la. O casal extremamente religioso e seus 5 filhos partem em busca de um novo lar e após dias de viagem, acham uma clareira onde decidem se estabelecer. Começam a tocar a vida, plantando e até criando alguns animais, como era comum da época. No entanto, a plantação simplesmente não prospera e o local afastado de tudo mostra-se cada vez mais hostil. Apesar de não terem sua fé abalada, começam a temer que tenham desagrado Deus de alguma forma e o infortúnio deles seja fruto disso. Tudo piora ainda mais quando o filho mais novo do casal, ainda bebê, some misteriosamente enquanto estava sob supervisão de Thomasin, a filha mais velha. Como não há rastros do quê ou quem levou o bebê, eles presumem que foi algum animal, como um lobo. No entanto, a proximidade de uma floresta sinistra da casa também ascende o temor de que pode ter sido trabalho de alguma bruxa, figura feminina muito comum na época, que a igreja julgava ser enviada de satanás e cujas ações assombravam o imaginário dos religiosos.  Essa atmosfera de fé doentia junto com o isolamento e hostilidade do local onde vivem, começam a fomentar a tensão na família que faz Caleb (filho mais velho do casal) querer tomar responsabilidades maiores para tentar proteger sua família e a mãe ver Thomasin como um bode expiatório.
É relevante dizer que o filme foi concebido a partir das lendas da época em que se passa, quando as pessoas eram muito supersticiosas e atormentadas pela ideia de estarem próximas a buxas, que eram tão reais quanto os pássaros e porcos, inclusive tendo sido alvo de várias caçadas. Se você conseguir imergir nessa atmosfera, sentirá as angústias da família e a perturbação que a simbologia de algumas figuras (como a lebre branca, o bode preto ou o corvo) pode causar.
Fora o brilhantismo do enredo e direção, as atuações também são ótimas, especialmente da atriz que interpreta Thomasin, que consegue trazer uma jovem mulher estigmatizada e sempre culpada por toda desgraça a sua volta. Os outros filhos são os gêmeos Mercy e Jonas, que também merecem muito destaque, junto com o bode da família, o Black Phillip (<3).


#2 HUSH – A Morte Ouve (2016)
O enredo é bem simples: Uma escritora que devido uma meningite na adolescência perdeu a audição se vê encurralada em sua própria residência por um psicopata que resolve torturá-la psicologicamente antes de matá-la.
Maddie, a protagonista, é bem convincente como uma mulher forte e inteligente que faz de tudo para conseguir sobreviver aquele horror, sem nada daqueles exageros que a fariam parecer uma super heroína.
O vilão não é alguém muito expressivo, e, no início usa inclusive uma máscara, mas que depois a tua para que Maddie possa ler seus lábios.
A trilha sonora do filme é bem legal, contando com algumas partes em que o silêncio é completo, para que possamos entrar no mundo silencioso da protagonista.
Tem violência, mas nada muito longo, o terror psicológico é maior.
É um bom filme, tem na Netflix.


#3 Circle (2015)
Circle é um filme interessante, mas pela premissa ou pelas cenas iniciais eu achei que ele seria melhor.
O enredo começa com dezenas de pessoas (talvez umas 50 ou 60)que acordam em lugar misterioso e, logo percebem que não podem tocar umas nas outras ou sair do pequeno círculo individual pintado no chão (que forma um grande círculo). Nem um deles sabe como ou porquê está lá e começam a conjecturar hipóteses sobre essas questões. Não tarda para que descubram que estão em uma espécie de jogo em que votam em qual deles será o próximo a morrer. Essas “eliminações” ocorrem a cada dois minutos e começam a aparecer pessoas com teorias de quem deve ser o próximo e porquê, vez que eles não tem como parar aquilo. Embora não haja certezas, eles vão testando teorias de como o “jogo” funciona, sempre com a incerteza de como será o final daquilo, se haverá ou não um sobrevivente.
A partir de então vemos uma amostra de como  é a sociedade: pessoas ativas e manipuladoras, outras que só querem ter alguém a quem seguir, outras que sempre preferem se abster de conflitos e etc. A ética e a moral delas vai sendo testada a cada “rodada” e as verdades absolutas sobre o certo e errado, para várias delas, não vale ali dentro.
É um filme legal, com uma premissa boa, com atuações bem regulares, mas ao terminar de ver, nada me tirava aquela sensação de que “faltou alguma coisa”.  Ainda assim, acho que é um filme que merece ser visto e, como está disponível na Netflix, não exige muito esforço para isso.


#4 Corrente do Mal (It Follows, 2014)
A história se passa com uma adolescente que, após transar com o garoto com quem estava saindo, descobre que ele lhe passou uma maldição. Essa maldição consiste em ser perseguida e assassinada por uma entidade misteriosa capaz de apresentar várias formas e que não a deixará em paz. Com isso, a única forma de se livrar dela é passando essa maldição (através do sexo) a outra pessoa.
A partir daí a garota, sua irmã e um amigo começam a fazer de tudo para que a garota permaneça viva e se livre de sua maldição.
Achei interessante ler que a maldição do filme pode ser uma metáfora para a perda da virgindade na adolescência, com o peso que isso tem na vida de uma garota, fazendo-a lidar com os julgamentos alheios (ou paranóias) a respeito disso. Não sei se isso procede, mas acho que essa ideia torna a trama mais interessante.
De toda forma, achei o filme bem legal. Apesar dos clichês e atuações oks, ele sabe segurar sua atenção e criar uma tensão envolvendo a trama que é mais que o suficiente para se destacar da maioria dos filmes do tipo.


#5 Babadook
Este filme é um terror psicológico muito bom e foi um dos que mais me surpreendeu até hoje. Fui ver o filme despretensiosamente e após seu fim eu estava boquiaberta.
A história se passa com Amélia, uma mulher que ainda sofre pela trágica perda do marido em um acidente, e, seu filho de sete anos, Samuel.
Samuel é uma criança complicada, de um temperamento difícil, daquelas que quer resolver tudo no grito e que ganha pelo cansaço. Ele começa a ficar muito aterrorizado com medo de monstros supostamente vindos debaixo da cama. Até aí nada de anormal, crianças tendem a ter esses medos. Tudo piora vertiginosamente quando eles acham um livro (que nem sabiam que tinham), cujo título é Babadook. O livro é daqueles popups, o que dá a ideia de ser um livro infantil, mas a medida que a mãe lê para o garoto, vê que é bizarro e assustador. A criança acaba ficando paranoica vendo o tal Babadook em todo lugar.
Vemos aí o tormento da mãe, tentando mostrar ao filho que seu medo é infundado, até que, obviamente, ela entra em contato com essa 'criatura', o que acaba mexendo com a mente dos dois, deixando-os beirando a loucura.
O final do filme é bem interpretativo e, claro, muita gente o detestou... Eu adorei e achei bem original.
[Spoilers >>] Na minha interpretação, a lição improvável que o filme deixa é que nem sempre podemos extinguir o mal de nossas vidas, as vezes, precisamos mesmo é aprender a conviver com eles e a controlá-los.


#6 Celular (2016)
Baseado em obra de quem? Exatamente, mais uma adaptação de livro do Stephen King!
A história tem como protagonista um quadrinista, Clay Ridell, que sobrevive a um surto bizarro causado por ondas emitidas pelos celulares. Os atingidos começam a babar, apresentar comportamentos assassinos e, embora fisicamente pouco além dos olhos  mude, eles tornam-se verdadeiros zumbis.
Clay só consegue pensar que sua (ex) mulher e filho estão em perigo e decide fazer o que puder para chegar até eles e salvá-los. No percurso, ele encontra algumas outras pessoas que o ajudam ou recebem sua ajuda para continuar sua jornada.
A medida que o filme se desenrola, eles percebem algumas peculiaridades acerca do comportamento dessas pessoas infectadas e vão se guiando por essas descobertas para conseguirem se manter vivos. Contudo, uma questão que passa a ter muita importância é se daria para reverter aquele caos e qual o papel das torres de celular naquela situação, afinal, elas são as responsáveis por difundir o sinal “zumbifcador”.
É um filme legal, mas que não tem nada de muito memorável, sem brilhantismo nem nas atuações nem nada de muito original no subgênero de zumbis.  


#7 Mártires (2008)
O último filme desse tema já ganhou post específico, que você pode ler aqui. O francês mártires consegue trazer sangue, violência e terror psicológico em um roteiro que trabalha tudo isso de forma interessante.
Sugiro que leiam o post, não tem spoilers, prometo!





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