1 de agosto de 2016

O Escaravelho de Ouro, #12MesesDePoe

O conto "O Escaravelho de Ouro" foi publicado originalmente em 1843 e é o conto de Julho para o #12MesesDePoe.
Uma coisa interessante sobre "O Escaravelho de Ouro"  é que, ao contrário dos outros contos lidos no projeto, este não é um conto permeado pelo sobrenatural, apesar de envolver um certo mistério, o fator chave para desvendá-lo é a investigação baseada na análise de fatos e objetos. Acho a escolha deste conto especialmente boa por por mostrar a versatilidade do autor.


O conto é ambientado no século XIX, numa pequena ilha da Carolina do Sul onde vivem William Legrand e Júpiter. O primeiro é um jovem de família nobre, mas que já não tem muitas posses, e o segundo, é um ex-escravo da família que apesar de livre não quis deixar seu ‘sinhôzinho’, sendo como um escudeiro para William. Júpiter também é responsável por trazer alívio cômico ao conto . 
O outro personagem do conto é quem narra a história. Ele é um velho amigo de Legrand, cujo nome não é revelado (mais uma vez).
O enredo se inicia quando o narrador-personagem faz uma visita a Legrand, que está excessivamente empolgado com seu último achado: um escaravelho dourado. William tenta retratar o escaravelho em um pedaço de pergaminho para o ele (o narrador), porém, a figura de uma caveira surge mais destacadamente. Ao notar a falta de empolgação do narrador acerca do escavelho, Willian fica frustrado e estranhamente alterado. O narrador, vendo o comportamento do amigo, beirando a obsessão, fica preocupado e resolve partir.
A partir daí, Júpiter e o narrador começam a alimentar o temor de que o ‘escaravelho de ouro’ (como diz Júpiter)  tenha desencadeado algum mal em Legrand, vez que o comportamento deste fica cada vez mais estranho.
Tempos depois, em outra visita, Legrand convence Júpiter e o narrador a lhe acompanharem em uma expedição, jurando que o resultado desta irá por fim aos temores de ambos e de sua obsessão com o escaravelho.  Eles partem então para o meio da floresta, num ponto afastado da ilha, mesmo sem saber bem o porquê.
Descobrimos que Legrand achara no pergaminho pistas sobre um tesouro pirata há muito perdido e o intuito da expedição é achá-lo.  Lá pelas tantas, vemos os personagens cavando buracos mesmo sem saber a razão para isso, num misto de desconfiança e determinação.  Após uns imprevistos causados pela pouca astúcia de Júpiter, os três acabam encontrando o que Legrand previra, para grande espanto de dois deles.
Por fim, temos a explicação de Legrand de como foi juntando as pistas e analisando-as até saber da existência do tesouro e como chegar até ele . Percebemos aí, como o ‘escaravelho de ouro’ foi apenas uma figura secundária que acabou levando ao pergaminho e ao tesouro.
 Este conto é bem diferente do estilo que estamos habituados de Poe. Ele deixa o sobrenatural de lado e apresenta uma história com o enfoque analítico como cerne de tudo. Muitos já devem ter ouvido falar que Poe foi o pai do romance policial moderno pelo qual Sir Arthur Conan Doyle e seu Sherlock Holmes se consagraram, e, apesar de não ter havido nenhum crime no caso, o poder analítico de Legrand pode ter servido de inspiração na criação de Sherlock, assim como o Mosieur Auguste Dupin, protagonista do icônico "Assassinatos na Rua Morgue"(1841).


Não acho que o conto irá realmente surpreender ninguém, pois mesmo Poe tendo sido pioneiro, já fomos bombardeados por histórias que usaram dos mesmos artifícios e nos deixaram mais habituadas a esse estilo. Ainda assim, tenho certeza de que será uma ótima fonte de distração e diversão. 
Apesar deste ser um conto bem famoso de Poe, eu nunca o tinha lido e fiquei bem feliz em poder conhecer coisas novas do autor. Também fiquei bem satisfeita com a praticidade de achar o conto. Isso porque a Anna fez um compilado com os 12 contos do projeto e disponibilizou em alguns formatos lá no blog dela (link aqui, caso interesse a alguém).






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4 comentários :

  1. Miga, nem me fala sobre o #12MesesDePoe, que eu ainda preciso resenhar os que eu li!
    Estamos no mês 08 e eu tô quase pensando em largar o projeto por esse ano, e tentar ano que vem novamente <3
    Poe é mágico demais, e eu gosto muito como tu extrai as informações do conto, sabe? Dá muita vontade de ler. Só li os seis primeiros e ainda tenho que ler o sétimo, mas fiquei muito afim de ler esse antes haha
    Beijão, linda!


    www.vultuspersefone.blogspot.com

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    1. Rafa, porque você não faz junto com a gente, mês a mês, e os primeiros contos lidos você faz nos primeiros meses do ano que vem? Vão ser 12 contos em 12 meses, de qualquer forma, só irá começar em agosto ao invés de janeiro. ^^
      Beijão e até mais! <3

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  2. Adoro suas resenhas sempre! Realmente é bem isso que tu falou, a gente já leu tanta coisa nesse estilo que fica saturada, mas apesar disso eu gostei demais, ri bastante também!
    Beijos! <3

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    1. Muito obrigada pelo apoio constante, Anna! <3
      Louca pra ir ler a sua, certeza que está maravilhosa, como sempre!
      Beijão e até mais!

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