28 de março de 2016

O Demônio da Perversidade - #12MesesDePoe

Não sei se vocês repararam, mas acabei me enrolando e não postei nada sobre o conto do mês de fevereiro do #12MesesDePoe.
Para não deixar por isso mesmo, hoje vim falar sobre “O Demônio da Perversidade” (conto de fevereiro). Como ele é um conto bem curto, não conseguiria falar sem dar spoilers, então, se não leu e não quer ter a experiência atrapalhada, volte ao post só depois de ler!


“O Demônio da Perversidade” foi publicado pela primeira vez na revista Graham, em 1845. O conto começa como um ensaio, discutindo e apontando os impulsos autodestrutivos de fazer algo que é errado, pelo simples fato de saber que não se deve e atribui tais impulsos ao Demônio da Perversidade.
No começo, devido ao vocabulário complicado, pode-se até ficar meio confuso ou não criar muita expectativa sobre o conto, mas a medida que as linhas vão sendo lidas tudo vai se encaixando e quando a verdadeira história se apresenta, já estamos envolvidos mais que o suficiente para não querer parar de ler até o final.
O conto, em primeira pessoa, nos diz que o demônio da perversidade habita em todas as pessoas, esperando apenas uma oportunidade de vir à tona e o autor vai desenvolvendo seu ponto de vista acerca disso.
Cientes disso, somos apresentados a história de um condenado à morte, que sucumbiu ao chamado de tal demônio e friamente cometeu um assassinato, mas sem deixar suspeitas ou indícios que o incriminassem. 
Os pormenores do crime nos são narrados, bem como os sentimentos e pensamentos do assassino, mas o que é descrito assusta porque da forma como a “perversidade” é apresentada, vemos que nós mesmos somos acometidos por tais pensamentos, ainda que de forma bem mais sutil e não tão horrendos como descritos no conto.  
O protagonista mata e, tempos depois, sente impulsos incontroláveis de confessar mesmo sabendo que jamais associariam sua pessoa ao crime.
O ponto é que este desejo de confissão não era nem um pouco motivado por qualquer sentimento de culpa, mas sim por um desejo incontrolável de revelar o que havia feito, justo por saber que não deveria.
Num desses impulsos, acaba surtando e confessando tudo publicamente quase como num transe e é esse ato, atribuído ao “Demônio da Perversidade”, o responsável pela sua condenação a morte.
Vemos a expressão de culpa velada no desejo do assassino de se eximir da responsabilidade pelo ato terrível conferindo esta a um demônio que foi liberto por um ímpeto e acabou cometendo aquele ato horrendo. É fácil saber porque isso ocorre, afinal, é bem mais cômodo colocar a culpa em um arquétipo ou ser/sentimento irracional do que admitir que nós mesmos somos os causadores de tais perversidades.
           O conto é pequeno, o plot é simples, mas não é por isso que deixa de ser incrível. Edgar Allan Poe conseguiu transmitir um sentimento bem humano e bem comum de forma genial e trazer uma boa fonte para reflexão ao final de suas palavras.


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