28 de janeiro de 2016

Metzengerstein - #12MesesDePoe

Pra dar inicio ao projeto 12 Meses de Poe, já apresentado aqui, o conto escolhido pela Anna foi “Metzengerstein”.


Gostei bastante da escolha desse conto porque embora não tão famoso, ele já apresenta bem ao estilo da escrita do Poe e aos elementos que costumam constituir suas obras e olha que esse foi o primeiro conto publicado do autor... 



O conto é narrado em terceira pessoa e é ambientado em algum lugar na Hungria, com grandes propriedades, velhos castelos e famílias ricas. Logo no inicio, o narrador enfatiza a rivalidade muito antiga de duas famílias ricas da região: os Metzengerstein e os Berlifitzings e depois há uma profecia descrita no conto que parece dar origem ou fomentar tal rivalidade: 

“Um nome elevado terão uma queda terrível quando, como o cavaleiro sobre seu cavalo, a mortalidade de Metzengerstein deve triunfar sobre a imortalidade da Berlifitzing.”

Nesse contexto, temos o velho Conde Guilherme Berlifitzing, que embora debilitado, ainda conservava suas maiores paixões: seus cavalos e a caça. Do outro lado, temos o jovem Barão Frederico de Metzengerstein, descrito como inescrupuloso, de comportamento imoral e irresponsável. Este último ficou órfão muito cedo e é o herdeiro de toda a fortuna da família aos 18 anos.

Eis que apenas quatro dias depois de Metzengerstein receber sua herança, há um grande incêndio nos estábulos de Berlifitzing, atribuído à Frederico pelo pensamento da maioria da comunidade.

No momento do acontecimento, o Barão estava em seu castelo envolto pelo desenho de uma tapeçaria que retrava um antepassado Metzengerstein sobrepujando um antepassado da família Berlifitzing, mas em primeiro plano (e o que atraiu os olhares do jovem), havia um enorme cavalo “dum colorido fora do comum”. Ao desviar o olhar por um instante e recolocá-lo no corcel, Frederico percebe uma mudança na cabeça do animal cujo olhar se tornara ainda mais expressivo, humano.

Assustado, o Barão sai do aposento e vê seus eguariços tentando conter o ímpeto de um cavalo de cor avermelhada que havia sido encontrado e que, estranhamente, parecia ser o mesmo retratado na tapeçaria. Curiosamente, embora as iniciais ''W.V.B'' (Wilhem von Berlifitzing) estivessem marcadas na testa do animal, todos do castelo dos Berlifitzing negaram que o cavalo pertencesse ao local.

Notando a singularidade do animal, Frederico toma a posse dele. Pouco depois ele é avisado que uma pequena parte da tapeçaria (que o hipnotizara mais cedo) estava faltando. É avisado também que seu rival Berlifitzing havia morrido durante uma tentativa de salvar seus cavalos do incêndio. Ambas as notícias não lhe causam nenhuma comoção.

Frederico e o corcel tornam-se inseparáveis e o jovem passa a fazer das horas de montaria deste animal um habito cada vez mais frequente na calmaria ou na tempestade. 

O misterioso cavalo e a obsessão do Barão de Metzengerstein por ele têm um papel bem importante no desfecho do conto, que não vou detalhar aqui, masss... Uma coisa que ajuda a amarrar o enredo e traz o elemento sobrenatural a história é o fato de Poe ter iniciado o conto falando de metempsicose

Pra quem viu essa palavrinha, mas deixou passar batido, minha sugestão é que faça uma rápida pesquisa e descubra seu significado. Isso não vai afetar a interpretação da história, mas sem dúvidas vai corroborar seu entendimento da obra. 

É interessante ver como a relação de Metzengerstein com o cavalo é complexa, vez que o barão teme o animal, mas não resiste a sensação de conquista que sente ao domá-lo. É estranha, doentia e as vezes tem uma nuance até sobrenatural, como se o jovem realmente não conseguisse se desvencilhar do corcel. 

Ao mesmo tempo que o protagonista passa cada vez mais tempo junto ao animal, seu contato com outras pessoas vai ficando mais raro, fato que as pessoas atribuíam como loucura, extrema arrogância ou mesmo doença. 

Lendo o conto, e conhecendo um pouco mais da personalidade do jovem, acho que suas extravagâncias e sua posterior misantropia podem ser atribuídas também como consequências do trauma pela perda tão prematura dos pais, bem como a falta de maturidade.  

Tentei dar o mínimo de spoilers possível, mas não tenho certeza se me saí bem, especialmente porque o conto é bem pequena e eu sou assumidamente prolixa, então, essa é uma combinação bem perigosa! Hahaha

Enfim, acho que este é realmente um ótimo conto, com elementos muito bem amarrados no decorrer da história, como o cenário, a rivalidade das famílias, os temperamentos dos últimos de cada linhagem e a pitada de sobrenatural, característica de Egar Allan Poe.

Quem ficou com vontade de ler, este é um conto muito presente nas coletâneas de contos do autor e de muito fácil acesso pra leitura/ dowload na internet, então, só tenho a desejar uma boa leitura! 




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Um comentário :

  1. A resenha do conto ficou ótima. Acho que não deu spoiler não.. rs
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

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