17 de julho de 2015

O Iluminado (The Shining).


O Iluminado é um caso raro. Se tem uma coisa que Hollywood nos mostrou é que raramente adaptações cinematográficas fazem jus a obra original. É interminável a lista de filmes adaptados de livros ou HQ’s que mudaram radicalmente a mensagem original da obra, e que mesmo assim não alcançaram êxito nem com a crítica, nem com o público. Neste contexto a adaptação cinematográfica de Stanley Kubrick, se destaca. O filme, de 1980, mesmo mudando radicalmente o final do livro ainda é um dos melhores exemplos de como fazer uma boa adaptação de livro para o cinema.

Primeiramente, vamos falar do livro. Há quem defenda que este é o melhor livro do Sr. King. Concordando ou não, fato é que O Iluminado figura com alta freqüência nas listas de melhores livros do autor.


Terceiro romance do até então desconhecido Stephen King, sendo este o seu primeiro grande sucesso. Trata-se é um romance ‘Stephenkingeano’ clássico. Estão lá todas as principais características literárias do autor: a prolixidade, a ambientação, o detalhismo e, principalmente, a profundidade e complexidade dos personagens. Esta última, em minha opinião, é o ponto mais alto do livro: Stephen King expõem os personagens de forma tão íntima e profunda, que em determinados momentos o leitor simplesmente se esquece que está lendo um livro, tamanha a humanidade e verossimilhança dos seus personagens. 

Podemos questionar vários defeitos do Stephen King, mas nunca a qualidade de seus personagens, pois estes são tão complexos e profundos quanto uma pessoa real.

A história já cativa pela sua premissa: Jack Torrance é um professor desempregado, autor frustrado e alcoólatra em recuperação, casado com Wendy, uma mulher apática e que tem um sério conflito sentimental com a mãe. Seu filho, Danny, é uma criança atormentada por um dom que o torna capaz de enxergar o que as pessoas normais não vêem (ou ignoram).

Desempregado e sem perspectivas, Jack Torrance consegue um serviço que pode mudar sua vida; Tomar contar do luxuoso hotel Overlook, durante a temporada de inverno, quando o hotel encerra as atividades e as estradas ficam interditadas pela neve. Eis uma ótima oportunidade de ganhar dinheiro e ainda de quebra, conseguir tempo para terminar sua tão sonhada peça de teatro. Tudo estaria ótimo, se não fosse pelo fato do hotel ser marcado por inúmeras tragédias ao longo dos anos, e começar a exercer uma influencia maligna na mente de seus hospedes.  Hotel este, que de tão bem desenvolvido, se torna um verdadeiro personagem do livro.


Talvez, o grande trunfo do livro, seja conseguir transportar o leitor para dentro das paredes do centenário hotel. A descoberta lenta e progressiva da história sangrenta do local, desde sua construção até os seus segredos obscuros, tudo serve para deixar o leitor mais envolvido. 

O sobrenatural vai aparecendo aos poucos no enredo, sempre em passagens pontuais na trama, de forma a revelar-se completamente somente no final do livro.

Falando do filme, este é muito eficaz em trazer todo o clima de apreensão e de isolamento da obra original. Soma-se a isso a icônica interpretação de Jack Nicholson e a direção impecável de Stanley Kubrick. Dentro da limitações de uma adaptação o filme se mantém fiel ao espírito do livro, tendo seu final, como ponto de maior discrepância entre as obras. 

Caso queira saber exatamente o quê, leia o texto em vermelho, abaixo.

Spoiler do Livro e do Filme:
No final do filme, Jack morre congelado na tentativa de assassinar seu filho, e com isso, garantir sua aceitação no mundo sobrenatural do hotel Overlook. Já no livro, Jack tem um momento de lucidez, durante o qual consegue ganhar tempo para que sua família fuja do hotel antes que ele exploda. Ou seja, enquanto o Jack do filme morre possuído pela influencia maligna do hotel, o Jack do livro acaba se redimindo ao se sacrificar para salvar sua família.
Vale lembrar também, que no livro fica estabelecido de forma explícita que existe uma força sobrenatural que age sobre a matéria, enquanto no filme essa força parece exercer maior influência sobre a mente das pessoas do que sobre a matéria.
Como disse no começo desse texto, mesmo com todas as suas diferenças, considero o filme O Iluminado como um exemplo perfeito de como se pode fazer boas adaptações de livros, pois mesmo com suas mudanças, a essência da historia foi mantida. Se você está procurando um livro que realmente lhe envolva, e que lhe cause medo, o Iluminado não lhe decepcionará. 




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3 comentários :

  1. Trata-se de um dos clássicos mais icônicos do King, pra mim. Eu tive a oportunidade de lê-lo muito tempo atrás, mas me lembro dos detalhes do hotel como se tivesse lido ontem mesmo! Realmente, o detalhismo e a forma como ele constrói os personagens são o que mais se destaca.

    No que diz respeito ao filme, eu realmente adorei! Consegui assisti-lo alguns anos depois de ler o livro e, mesmo me lembrando dos detalhes discrepantes, a história não decepciona (muito menos a atuação do Jack, que é sempre impecável)!

    Amei a resenha, minha linda!!
    Beijos

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  2. Também acho que é possível fazer adaptações de livros bem fiéis. O problema é que estão mais interessados em vender os filmes do que contarem a história do livro, por isso que acabamos vendo tantas adaptações medíocres por aí.
    Sobre esse filme e o livro, não vi nem li ainda. Mas vou procurar. ^^
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

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  3. Adoro o King! Até hoje não perdoo que não tenham feito um Carrie a altura. Pelo menos em o Iluminado não pisaram na bola!
    É um livro perturbador, para mim. Mexe muito com a cabeça. O filme também fez isso comigo, tanto que não me atrevi a ver de novo (eu sei, parece estranho, mas sou muito impressionável). Christine tb fez isso comigo.
    Beijos!

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