12 de setembro de 2018

A Revolução dos Bichos

Um grande mérito das distopias é trazer elementos que as mantêm sempre atuais. "A Revolução dos Bichos", de George Orwell, não é diferente. A obra é uma fábula em sátira a ditadura Stalinista na União Soviética, trazendo uma crítica aos regimes totalitários de governo. É importante salientar que o próprio autor se identificava como comunista e diz ter sentido a necessidade de fazer a crítica contida na obra pois julgava que os regimes instaurados em sua época deturpavam os verdadeiros ideias do comunismo.


Na fábula, após os animais da “Fazenda do Solar” ouvirem um sonho de Major, um dos bichos mais velhos e respeitados do lugar, decidem se rebelar contra os humanos que administravam a fazenda. A insatisfação era motivada pelo fato dos animais proverem todos os recursos que mantinham a fazenda como leite, ovos, o arado das plantações e etc., e pouco receberem em troca, enquanto os humanos, que só os escravizam e se aproveitam de seu trabalho, se cercavam de luxos.


Incitados pela ideia de liberdade sintetizada no sonho de Major e na música "Bichos da Inglaterra", ensinada por ele, os bichos expulsam o fazendeiro e sua família da "Fazenda do Solar" a fim de viverem uma era de igualdade e prosperidade para os bichos. Alimentando um discurso de ódio inflamado contra os homens (tidos como maus e gananciosos), os "cabeças" da revolução contagiam os outros bichos para lutar e evitar a retomada do antigo dono ao lugar, agora chamado "Fazenda dos Bichos".
Ocorre que entre o sonhar com esta vida e consegui-la, papéis foram se definindo, contrariando o idealizado inicialmente. Por serem mais inteligentes e habilidosos para aprender, os porcos ficaram no comando da fazenda. Percebendo seu poder na condição de administradores, cada vez mais, se aproveitavam dos outros bichos, manipulando-os. Implantaram um sentimento de devoção por eles, enquanto tiram vantagem sobre os outros. Logo fizeram dos cachorros os responsáveis por fazer cumprir suas ordens, com o uso da força, se preciso. As ovelhas, não dotadas de senso crítico, levavam o tempo a repetir frases de efeito dos porcos. Os cavalos, na esperança de um futuro melhor, confiavam nos governantes e trabalhavam arduamente. O único bicho que se mostrava cético quanto às vantagens do novo regime social era o burro, porém, dançava conforme a música para não ser descartado.
Não tardam a aparecer as injustiças e a exaustão dos bichos cujo trabalho e ignorância servem somente para enriquecimento dos governantes. Ainda assim, a população tem dificuldade em perceber e crer que apesar de tudo ter mudado com a tomada da fazenda, as melhoras e a igualdade não vieram para todos, como explica a frase na parede do celeiro: Todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros.


É interessante ver como vários pontos chaves de ascensões totalitárias estão presentes na história: Sentimento de insatisfação ou injustiça social; revolução em busca de melhores condições; estabelecimento de líderes desse novo regime; manipulação da massa pela imprensa (deturpando a história passada e o que está acontecendo); população ignorante e com instrução limitada; novo regime se tornando autoritário e promovendo desigualdades sociais iguais ou piores que as que incitaram a vontade de mudança; controle social por meio da repressão/medo; governo novo se tornando igual ou pior ao que o antecedeu.
Recomendo fortemente a leitura, pois trata-se de uma obra atemporal que apesar do teor político, funciona muito bem como uma história isolada desse contexto, podendo ser lida por qualquer pessoa, inclusive por crianças, e ter sua narrativa e mensagem entendidas satisfatoriamente. 


Com pouco mais de 150 páginas, o livro possui uma leitura tão fluida que pode ser concluída em único dia. A edição da Companhia das Letras (cujas fotos estão neste post) pode ser encontrada facilmente em livrarias físicas e virtuais e conta com um acabamento bem legal (impressão em papel pólen bold) e material extra que inclui um posfácio de Christopher Hitchens e um prefácio escrito pelo próprio Orwell, para a edição ucraniana de 1947.
A título de curiosidade, o álbum conceitual "Animals", do Pink Floyd é inspirado nessa obra. Os títulos das músicas são referências às três classes mais evidentes do livro (porcos, cachorros e ovelhas), porém a despeito da obra de Orwell dirigir suas críticas ao comunismo, o álbum dirige as suas ao capitalismo e apresenta um desfecho diferente do livro.

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8 de setembro de 2018

O Silmarillion

Sempre posterguei a leitura de “O Silmarillion”, de J.R.R. Tolkien, por ter ouvido muito que ele era complicado e de ritmo difícil. Quando finalmente criei coragem para descobrir o livro por mim mesma, me apaixonei logo nas primeiras páginas.


Acho que a frustração dessas pessoas que não se adaptaram ao ritmo da leitura vem por esperarem uma história aventuresca ou linear, como "O Hobbit" e "O Senhor dos Anéis", e não é isso que acontece aqui. O Silmarillion não funciona como um romance comum, mas sim como um relato das eras passadas da Terra Média, uma espécie de registro histórico daquele mundo, no qual não há uma história, mas uma vastidão delas.

Havia Eru, o Único, que em Arda é chamado de Ilúvatar. Ele criou primeiro os Ainur, os Sagrados, gerados por seu pensamento, e eles lhe faziam companhia antes que tudo o mais fosse criado. E ele lhes falou, propondo-lhes temas musicais; e eles cantaram em sua presença, e ele se alegrou (...) E surgiu um som de melodias em eterna mutação, entretecidas em harmonia, as quais, superando a audição, alcançaram as profundezas e as alturas; e as moradas de Ilúvatar encheram-se até transbordar; e a música e o eco da música saíram para o Vazio, e este não estava mais vazio.

Tolkien queria se dedicar à construção da mitologia de seu universo logo após a publicação d'O Hobbit, porém só pôde se concentrar nisso após escrever e publicar O Senhor dos Anéis. O resultado de seu trabalho é O Silmarillion, que, infelizmente, só foi publicado depois de sua morte.


Sendo assim, O Silmariollion é o livro da mitologia e das lendas dos Dias Antigos, nos mostrando desde a gênese daquele mundo até o fim de algumas eras. Conhecemos os poderosos seres que estavam presentes na criação de Arda, conhecida também como Terra Média, e os seres destinados a viver lá, assim como as conquistas, realizações e guerras travadas pela liberdade ou poder.

Ora, os Filhos de Ilúvatar são elfos e os homens, os Primogênitos e os Sucessores. E em meio a todos os esplendores do Mundo, seus vastos palácios e espaços e seus círculos de fogo, Ilúvatar escolheu um local para habitarem nas Profundezas do Tempo e no meio das estrelas incontáveis.

Conhecemos os poderosos Valar, maias, elfos, anões e homens, assim como o papel desempenhado por cada raça nos importantes eventos anteriores à aventura de Bilbo ou da Sociedade do Anel. Vemos o nascimento do mundo através da canção dos Ainur, a criação das lendárias Silmarills e como elas influenciaram o destino daquele mundo, fosse nas trapaças de Melkor e Sauron, nos feitos de Túrin, no amor de Beren e Luthién ou em outras histórias. A criação de seres nefastos nos fardos de Angband, como os grandes dragões e os infernais Balrogs… Histórias de guerras, de traições, conquistas, bravura, pesares e alegrias, todas contidas nas páginas desse livro épico. Além disso, o volume organizado por Christopher Tolkien também traz notas sobre as pronúncias dos nomes nos idiomas da Terra Média e um glossário para facilitar a compreensão.

Entre os relatos de dor e destruição que nos chegaram das trevas daquele tempo, existem ainda assim alguns nos quais, em meio ao pranto, há alegria e, sob a sombra da morte, luz duradoura. E dessas histórias a que ainda parece mais bela aos ouvidos dos elfos é a de Beren e Lúthien.

Este universo complexo, muito bem estruturado e riquíssimo em lendas é um dos mais queridos pelos fãs de fantasia e, sem dúvida,  a riqueza de lugares e seres que ali existem, a excelente construção de sua história, lendas, raças e personagens é uma das principais razões. Interligando tudo, O Silmarillion nos mostra como J.R.R. Tolkien é mais que um bom contador de histórias e merece a alcunha de Senhor da Fantasia.
Ungoliant and Melkor por Rubendevela

Recomendo muito a leitura para todos os que já se apaixonaram pelas histórias da Terra Média e têm vontade de entender melhor os feitos, lendas e até mesmo as pronúncias dos nomes. Recomendo também aos fãs de literatura fantástica e de Blind Guardian que nunca se arriscaram. Garanto que você irá se encantar ainda mais por esse universo e que nunca mais ouvirá o Nightfall in Middle-Earth da mesma forma!


Where can I run
How can I hide
The Silmarils?
Gems of treelight
Their life belongs to me
Oh it's sweet how the
Darkness is floating around
(Into The Storm - Blind Guardian)



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9 de agosto de 2018

Johnny Vai à Guerra

               Johnny Vai à Guerra era daqueles livros que eu queria ler há muito tempo e não sei por que raios nunca havia comprado. Quando finalmente consegui tê-lo em mãos, pulei tudo que estava na fila para conferir se o livro era tão bom quanto eu esperava que fosse. E devo dizer que é sim. Agora "senta que lá vem história", porque além das minhas impressões do livro, também trouxe algumas outras dicas de obras relacionados à ele. 

Antes de falar do livro, quero abrir um parêntese para falar de seu autor, Dalton Trumbo. Ele foi um roteirista de sucesso de Hollywood na década de 50, escrevendo obras como "A Princesa e o Plebeu" (1953). Porém, por ser filiado ao Partido Comunista, acabou sendo convocado à responder perguntas perante o Comitê de Atividades Antiamericanas do congresso. Por se recusar a colaborar com a investigação na indústria cinematográfica, Trumbo foi alvo de perseguições e boicotes, assim como vários outros roteiristas. Essa postura "antiamericana" garantiu seu lugar na "lista negra" do governo e sua prisão. Devido a sua história de vida ser bem interessante, a primeira recomendação deste post é um filme de 2015 chamado "Trumbo - Lista Negra", que conta essa parte da vida do autor e roteirista. O filme é muito interessante primeiro porque Trumbo foi uma figura que vale a pena se conhecer e segundo pela história desse período de perseguição e segregação ideológica que houve no cinema, período que ficou conhecido como Macartismo. O protagonista do filme é interpretado por Bryan Cranston (eterno Walter White), que apesar de não ter muita semelhança física com Trumbro, está muito bem no papel. 

Falando do livro, ele é daqueles casos em que saber o que acontece não tira em nada o sabor da leitura. O maior mérito da história é nos contar como aconteceram certas coisas, o que elas causaram e nos trazer as reflexões e sensações que seu protagonista experimenta. Assim, vou dar um panorama da história de Joe, protagonista e narrador do livro.
Joe Bonham é um jovem americano de 20 anos que vive uma vida normal: tem um trabalho, uma namorada, vive com sua família numa pacata cidadezinha. As coisas começam a mudar quando ele é convocado à servir sua pátria no front de batalhas, em uma guerra que teve início há pouco
Em um dos dias de batalhas, enquanto Joe servia nas trincheiras, ele viu uma cena que iria mudar sua vida para sempre: uma bomba se aproximando. Sem muita escolha do que fazer para fugir da explosão, Joe permanece em sua trincheira e torce para que a ela não caia muito perto. Infelizmente, ocorre justamente o contrário.
O barulho da explosão é tão alto que danifica sua audição de forma irreversível, então, quando o narrador finalmente acorda, no que imagina ser uma cama de hospital, se percebe na escuridão e silêncio totais. À medida que vai recuperando a consciência, vai notando as perdas e elas não são poucas: nota que além da audição, está também cego e sem uma boa parte do rosto, incluindo o nariz a boca. Tudo que sobrou foi um pedaço de sua testa e uma parte do queixo. Sem querer acreditar, continua contabilizando as perdas e se dá conta que não consegue mexer também os braços e as penas porque esses não existem mais.
Desesperado, ele pensa em sua vida, em como poderá viver dali em diante vez que, em sua condição, até distinguir o que é real e o que é sonho torna-se incrivelmente difícil. Deitado, sem conseguir saber o que está acontecendo e sem conseguir transmitir suas dúvidas e vontades, Joe pensa. Relembra momentos de sua vida, reflete sobre suas escolhas, sobre a guerra, sobre a vida e, acima de tudo, pensa em como pode fazer para se comunicar com as outras pessoas e assim "sair do reino dos mortos e voltar ao mundo dos vivos".

O que era uma obrigação com a pátria e um dever inquestionável começa a ser alvo de reflexões e questionamentos na mente do imóvel Joe. Palavras como democracia e honra começam a ser pesadas em face do que é exigido em troca delas. 
O livro consegue nos colocar na cabeça de Joe e perceber o novo peso das pequenas conquistas, das descobertas, de autoconsciência e tudo mais. Nos proporciona questionamentos valiosíssimos acerca do valor da vida em nossa sociedade e de como  é aterrador estar morto em vida.
A emoção que senti ao ler algumas partes, em especial, as que descrevem suas vitórias, foi enorme. Me senti tocada e profundamente feliz por ver aquelas conquistas, assim como também fiquei aflita com algumas descobertas de Joe sobre sua situação e as inquietações de sua mente.

Sobre a narrativa, ela não é feita de modo linear. Temos essencialmente duas linhas temporais, o presente e o passado, que vão se intercalando e compondo a história. A forma  escrita do livro também não conta com vírgulas, o que é um recurso bem eficiente em nos passar os pensamentos turbulentos do narrador e sua angústia, aumentando a nossa também com seu sofrimento. Outra coisa que tem um propósito maior do que parece é o título da obra, que no idioma original é "Johnny Got His Gun" (Johnny Pegou Sua Arma, em tradução literal). Essa frase era um slogan usado pelo governo norte-americano para incentivar os jovens a se alistarem nas forças armadas, no começo do século 19.  
                 Essa obra foi lançada em 1939, pouco depois do inicio da Segunda Guerra Mundial e causou as mais variadas reações. Esgotado rapidamente, teve sua reimpressão adiada até o fim da guerra para que não afetasse ainda mais os americanos com sua mensagem pacifista ou antipatriotista, dependendo do leitor. "Johnny Vai à Guerra" rendeu o "National Book Awards" à Trumbo, pelo Livro Mais Original de 1939.
                O livro é a recomendação mais importante de hoje e a edição que tenho (e que ilustra o post) é da "Biblioteca Azul". Devo ressaltar o excelente trabalho de diagramação e escolha de capa que traz uma imagem com, basicamente, o que restou do corpo de Joe e inscrições em código Morse. O cuidado com a obra vai além disso e a edição traz também uma introdução escrita pelo próprio Trumbo e várias notas de rodapé que ajudam a entender melhor o que é contado no livro. Apesar de nunca ter visto ele em uma livraria física, ele é facilmente encontrado em qualquer livraria online por um preço que varia entre R$ 20,00 e R$ 30,00. Espero que você leia e que tire bom proveito das palavras, reflexões e experiências de Joe. 
Nada seria mais natural, depois do sucesso do livro, que "Johnny Vai à Guerra" ganhasse uma adaptação cinematográfica. E assim foi feito o único filme dirigido por Trumbo, que fazendo jus a seu renome, também o roteirizou. O longa saiu em 1971 e é um filme de muito prestígio, apesar de não ser tão conhecido como poderia e deveria.
              Como uma excelente adaptação, o filme conta a história de Joe Bonham, muito bem interpretado por Timothy Bottoms. Assim como no livro, o longa intercala cenas do presente com alguns pensamentos de Joe e lembranças de seu passado.
              Um recurso maravilhoso usado por Trumbo para enfatizar a mudança de tom entre esses dois tempos são as cores. No presente, quando Joe é um morto em vida, sem a capacidade de se comunicar, se locomover, escutar e mesmo sentir gostos, as cenas são todas em preto em branco, dando força ao seu sofrimento e amargura. No entanto, quando estamos vendo as memórias de Joe, tudo ganha um colorido lindo, uma beleza e satisfação de ser alguém na sociedade, de fazer parte do mundo dos vivos.
            Devo ressaltar além do primor da fotografia utilizada para o filme, as excelentes interpretações, especialmente a de Timothy Bottoms, como protagonista. A despeito de ser extremamente complicado dar vida a um personagem cujo rosto não aparece e o corpo está coberto e imóvel a maior parte do tempo, a emoção contida na voz de Timothy nas partes narradas é tocante e sua atuação nos momentos de suas reminiscências também é digna de nota.
              Apesar de algumas diferenças entre o livro e o filme, especialmente as que envolvem a figura do pai de Joe, o fato de ter sido adaptado pelo próprio autor não deixa nada ser perdido.
           Recomendo fortemente o filme como adaptação e como obra cinematográfica isolada também. Você pode encontrar o filme completo legendado em português facilmente na internet, tanto para download quanto para ver online, em excelente qualidade.


            Por fim, eu não poderia falar aqui dessa obra sem recomendar também a música "One" do Metallica, que é inspirada nela e na qual podemos ouvir as narrações e diálogos retirados diretamente do filme de Trumbo. Diz-se que James Hetfield foi o primeiro da banda a ver o filme e ficou impressionado com a história, por isso, depois leu o livro. Os outros membros da banda foram pelo mesmo caminho e acharam que deveriam fazer uma música sobre a história de Joe. 
           O Metallica tem uma postura assumidamente anti-guerra e a música além de casar com essa postura ainda apresenta o peso e a paixão dos tempos áureos da banda. A emoção da voz de Hetfield, os riffs e as mudanças de peso da música são dos elementos que mais chamam atenção para ela, à primeira "ouvida", no entanto, saber que há mais por trás dela, só a torna mais memorável. A música foi lançada no disco "And Justice for All" e a banda fez questão de usar em seu videoclipe cenas do filme, adquirindo os direitos do longa para isso.
           Uma possível curiosidade é o nome da música ser "One". Pode ser devido à passagem do livro em que Joe percebe que as chances dele ter sobrevivido com tantas perdas em seu corpo era de "uma um um milhão", mas também pode ser interpretado como a quantidade de sentidos com que ele foi deixado depois de tudo: um, o tato.  

One

                             I can't remember anything                               Eu não consigo lembrar de nada

                             Can't tell if this is true or dream                       Não posso dizer se isso é verdade ou sonho
                             Deep down inside I feel to scream                  Lá no fundo sinto vontade de gritar

                             This terrible silence stops me                          Este terrível silêncio me impede

                             Now that the war is through with me               Agora que a guerra acabou comigo

                             I'm waking up, I can now see                          Eu estou acordando, eu já consigo ver

                             That there's not much left of me                      Que não resta muito de mim
                             Nothing is real but pain now                            Nada é real além da dor agora


                             Hold my breath as I wish for death                  Segure minha respiração enquanto desejo a morte

                             Oh please God, wake me                                Meu Deus por favor me acorde


                             Back in the womb it's much too real                De volta ao útero é muito real

                             In pumps life that I must feel                            Nas bombas de vida que eu devo sentir

                             But can't look forward to reveal                        Mas não posso olhar para frente para revelar

                             Look to the time when I'll live                           Olhe para o momento em que eu vou viver


                             Fed through the tube that sticks in me             Alimentados através do tubo que fica em mim

                             Just like a wartime novelty                               Assim como uma novidade em tempo de guerra

                             Tied to machines that make me breathe         Amarrado às máquinas que me fazem respirar

                             Cut this life off from me                                   Corte esta vida fora de mim


                             Hold my breath as I wish for death                  Segure minha respiração enquanto desejo a morte

                             Oh please God, wake me                                Meu Deus por favor me acorde

                             Now the world is gone I'm just one                  Agora o mundo vai Eu sou apenas um

                             Oh God help me                                              Oh Deus me ajude!

                             Hold my breath as I wish for death                  Segure minha respiração enquanto desejo a morte

                             Oh please God, help me                                 Oh, por favor Deus, me ajude


                             Darkness                                                         Trevas

                             Imprisoning me                                                Aprisionando-me

                             All that I see                                                    Tudo o que eu vejo

                             Absolute horror                                                Horror absoluto

                             I cannot live                                                     Eu não posso viver

                             I cannot die                                                      Eu não posso morrer

                             Trapped in myself                                            Preso em mim

                             Body my holding cell                                       O meu corpo cela


                             Landmine Campo                                            Minado
                             Has taken my sight                                          Tomou minha vista

                             Taken my speech                                            Tomado meu discurso

                             Taken my hearing                                            Tomado minha audição

                             Taken my arms                                                Tomado meus braços

                             Taken my legs                                                 Tirada minhas pernas

                             Taken my soul                                                 Tomado minha alma


                             Left me with life in Hell                                    Me deixou com vida no inferno


           Espero que você tenha gostado do post e se já tiver lido, visto ou ouvido alguma das obras aqui citadas e quiser deixar sua opinião, ficarei feliz em continuar essa conversa pelos comentários.


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29 de junho de 2018

Não Era Original, Era Versão

Sabe aquela música que você ouve em looping por semanas e um dia, por acaso, escuta ela por aí de uma forma diferente? Então, em casos assim, não é raro descobrirmos que as músicas que sempre escutamos são na verdade covers ou versões! Apesar disso ser perfeitamente comum no mundo da música, às vezes, é inevitável você se sentir meio bobo ou enganado (drama mode on) pelas suas bandas do coração.

Baseado nas minhas próprias descobertas tardias, resolvi fazer esse post que tem quase o tom denúncia (provavelmente apenas da minha trouxesse Haha)!  A ideia original era compartilhar com vocês cinco músicas que sempre achei que fossem originais e fiquei abismada ao descobrir que eram versões/ covers, porém, prolixa como sou, acabei citando mais que cinco... 

Como meu estilo de música favorito é o Metal, todas as músicas/bandas que você verá aqui fazem parte de um subgênero dele. Vou deixar sempre a versão e ao lado a original para vocês compararem.
1.     Ao longo da minha vida de fã, o Nightwish foi uma das bandas que mais me "enganou" (ou pelo menos que a que mais descobri versões) e por isso será a primeiríssima da lista. O meu maior choque foi em saber que a clássica "Over The Hills and Far Away" é, na verdade, uma música do Gary Moore. Eu mesma considerava a versão da música feita pelo Sonata Arctica um cover do Nightwish, mal sabendo que ambas eram covers. A letra da música fala de um casal de amantes, do qual o homem acaba sentenciado a dez anos de prisão após ser acusado injustamente de um crime. O que poderia ser resolvido facilmente com a presença de um álibi acaba se tornando um grande dilema, já que o injustiçado rapaz tinha passado a noite do crime com sua amada que calhava de ser (wait for it...) a esposa de seu melhor amigo! Além dessa música, ainda tem “Walking In The Air”, que só bem depois descobri não ser uma canção original do álbum Oceanborn (1998) e sim, se tratar de uma versão. A música, na verdade, foi escrita por Howard Blake em 1982 para a animação infantil "The Snowman", baseada no livro infantil de mesmo nome, de 1978. Outras versões feitas pela banda, mas que são mais fáceis de reconhecer que são covers incluem “High Hopes”, tocada no DVD The End of An Era (último registro da banda com a vocalista Tarja Turunen), que é uma composição do Pink Floyd e  “Phantom of The Opera”, composta por Andrew Lloyd Webber e que é o tema do filme “O Fantasma da Ópera” de 2004.
  
 


2.      Ainda falando de bandas que marcaram o começo da minha adolescência, tem a música "Memory" que conheci pela voz de Simone Simons, no saudoso DVD We Will Take You With Us, da banda Epica. É uma música lindíssima, que na voz dela fica sensacional, emocionante. O fato é que (por não entender de inglês, especialmente na época) nunca entendi ela apresentar a música. Por isso, só bem depois de ver diversas outras interpretações fui buscar a origem da música e descobri que ela pertence à trilha sonora do musical Cats cuja melodia foi composta por Andrew Lloyd Webber (acima citado por “Phantom of the Opera”) e a letra por Trevor Nunn, inspirado nos poemas "Preludies"e "Raphsody on a Windy Night" de T. S. Eliot. Abaixo vocês podem ver a versão do Epica e a do musical. A letra traz uma pessoa nostálgica relembrando seu passado maravilhoso e demonstrando a vontade de aproveitar o tempo que lhe resta e começar uma nova vida.
  
3.       Agora, vamos aos clássicos, porque engana-se quem pensa que os medalhões do rock/metal também não fazem suas homenagens/versões. Por exemplo, a música “Evil Woman”, considerada um clássico pelo Black Sabbath e que foi lançada no álbum de estreia da banda, em 1970. Acredito que a grande maioria das pessoas entrou em contato com a referida música por meio deles, porém a música é da banda Crow e foi lançada originalmente em seu disco Crow Music, de 1969. O primeiro álbum do Black Sabbath (que tem o mesmo nome da banda) traz um outro cover: a música "Warning", de Aynsley Dunbar Retaliation e lançada primeiramente em 1967, no disco Blue Orizon.
  
4.              Ainda entre os pais do Metal, temos mais um caso. Quem gosta da banda britânica Judas Priest com certeza conhece a música “Diamonds and Rust”, presente no set list de várias turnês da banda. A música foi gravada em 1975 para o álbum Sad Wings of Destiny, porém não entrou para a versão final do disco. Algum tempo depois, por ideia do produtor Roger Glover, a canção foi regravada para integrar o tracklist do disco Sin After Sin, sendo lançada em 1977. Ocorre que a música é uma composição de Joan Baez, lançada originalmente em um disco que leva o nome da artista, em 1975. A letra fala de um(a) amante com quem o "narrador" parece manter um relacionamento inconstante, justificando a alusão feita no nome da canção, que seria "diamantes e ferrugem", em tradução literal. Na versão do Priest a letra permanece igual, porém foi adicionado bem mais peso à música. “The Green Manalishi” também é uma música bem conhecida pelo Judas Priest, lançada em 1979 no disco Hell Bent For Leather, mas que é composição originalmente da banda Fleetwood Mac, tendo seu primeiro lançamento em 1970.

  
          5.     Para encerrar, uma banda que amo e que tem várias versões de músicas de outras bandas, o Type O Negative. Uma das coisas mais legais dessas versões e motivo pelo qual não costumamos desconfiar de que se trata de uma versão é o fato de que a banda sempre coloca seu estilo na música, de forma que ela soe verdadeiramente como Type O Negative. Um caso bem emblemático é "Summer Breeze". Ela foi lançada no álbum Blood Kisses, de 1993, e tem o som bem lento e pesado característico do doom feito pela banda. Contudo, a música foi composta pela banda Seals and Crofts e lançada em 1972, chegando até a atingir a 6ª posição no ranking da "Billboard Hot 100", nos Estados Unidos.  
  

Sei que é tudo uma questão de quebra de expectativa, você conhece a música por determinado interprete e tende a ver aquela versão como a "original", mas eu, pelo menos, sinto o "impacto" Haha. E aí, você já sabia ou desconfiava de alguma dessas versões? Tem outras bandas para “desmascarar”? Me fala aí nos comentários que estou louca para saber!


Bloddy Kisses




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