29 de junho de 2018

Não Era Original, Era Versão

Sabe aquela música que você ouve em looping por semanas e um dia, por acaso, escuta ela por aí de uma forma diferente? Então, em casos assim, não é raro descobrirmos que as músicas que sempre escutamos são na verdade covers ou versões! Apesar disso ser perfeitamente comum no mundo da música, às vezes, é inevitável você se sentir meio bobo ou enganado (drama mode on) pelas suas bandas do coração.

Baseado nas minhas próprias descobertas tardias, resolvi fazer esse post que tem quase o tom denúncia (provavelmente apenas da minha trouxesse Haha)!  A ideia original era compartilhar com vocês cinco músicas que sempre achei que fossem originais e fiquei abismada ao descobrir que eram versões/ covers, porém, prolixa como sou, acabei citando mais que cinco... 

Como meu estilo de música favorito é o Metal, todas as músicas/bandas que você verá aqui fazem parte de um subgênero dele. Vou deixar sempre a versão e ao lado a original para vocês compararem.
1.     Ao longo da minha vida de fã, o Nightwish foi uma das bandas que mais me "enganou" (ou pelo menos que a que mais descobri versões) e por isso será a primeiríssima da lista. O meu maior choque foi em saber que a clássica "Over The Hills and Far Away" é, na verdade, uma música do Gary Moore. Eu mesma considerava a versão da música feita pelo Sonata Arctica um cover do Nightwish, mal sabendo que ambas eram covers. A letra da música fala de um casal de amantes, do qual o homem acaba sentenciado a dez anos de prisão após ser acusado injustamente de um crime. O que poderia ser resolvido facilmente com a presença de um álibi acaba se tornando um grande dilema, já que o injustiçado rapaz tinha passado a noite do crime com sua amada que calhava de ser (wait for it...) a esposa de seu melhor amigo! Além dessa música, ainda tem “Walking In The Air”, que só bem depois descobri não ser uma canção original do álbum Oceanborn (1998) e sim, se tratar de uma versão. A música, na verdade, foi escrita por Howard Blake em 1982 para a animação infantil "The Snowman", baseada no livro infantil de mesmo nome, de 1978. Outras versões feitas pela banda, mas que são mais fáceis de reconhecer que são covers incluem “High Hopes”, tocada no DVD The End of An Era (último registro da banda com a vocalista Tarja Turunen), que é uma composição do Pink Floyd e  “Phantom of The Opera”, composta por Andrew Lloyd Webber e que é o tema do filme “O Fantasma da Ópera” de 2004.
  
 


2.      Ainda falando de bandas que marcaram o começo da minha adolescência, tem a música "Memory" que conheci pela voz de Simone Simons, no saudoso DVD We Will Take You With Us, da banda Epica. É uma música lindíssima, que na voz dela fica sensacional, emocionante. O fato é que (por não entender de inglês, especialmente na época) nunca entendi ela apresentar a música. Por isso, só bem depois de ver diversas outras interpretações fui buscar a origem da música e descobri que ela pertence à trilha sonora do musical Cats cuja melodia foi composta por Andrew Lloyd Webber (acima citado por “Phantom of the Opera”) e a letra por Trevor Nunn, inspirado nos poemas "Preludies"e "Raphsody on a Windy Night" de T. S. Eliot. Abaixo vocês podem ver a versão do Epica e a do musical. A letra traz uma pessoa nostálgica relembrando seu passado maravilhoso e demonstrando a vontade de aproveitar o tempo que lhe resta e começar uma nova vida.
  
3.       Agora, vamos aos clássicos, porque engana-se quem pensa que os medalhões do rock/metal também não fazem suas homenagens/versões. Por exemplo, a música “Evil Woman”, considerada um clássico pelo Black Sabbath e que foi lançada no álbum de estreia da banda, em 1970. Acredito que a grande maioria das pessoas entrou em contato com a referida música por meio deles, porém a música é da banda Crow e foi lançada originalmente em seu disco Crow Music, de 1969. O primeiro álbum do Black Sabbath (que tem o mesmo nome da banda) traz um outro cover: a música "Warning", de Aynsley Dunbar Retaliation e lançada primeiramente em 1967, no disco Blue Orizon.
  
4.              Ainda entre os pais do Metal, temos mais um caso. Quem gosta da banda britânica Judas Priest com certeza conhece a música “Diamonds and Rust”, presente no set list de várias turnês da banda. A música foi gravada em 1975 para o álbum Sad Wings of Destiny, porém não entrou para a versão final do disco. Algum tempo depois, por ideia do produtor Roger Glover, a canção foi regravada para integrar o tracklist do disco Sin After Sin, sendo lançada em 1977. Ocorre que a música é uma composição de Joan Baez, lançada originalmente em um disco que leva o nome da artista, em 1975. A letra fala de um(a) amante com quem o "narrador" parece manter um relacionamento inconstante, justificando a alusão feita no nome da canção, que seria "diamantes e ferrugem", em tradução literal. Na versão do Priest a letra permanece igual, porém foi adicionado bem mais peso à música. “The Green Manalishi” também é uma música bem conhecida pelo Judas Priest, lançada em 1979 no disco Hell Bent For Leather, mas que é composição originalmente da banda Fleetwood Mac, tendo seu primeiro lançamento em 1970.

  
          5.     Para encerrar, uma banda que amo e que tem várias versões de músicas de outras bandas, o Type O Negative. Uma das coisas mais legais dessas versões e motivo pelo qual não costumamos desconfiar de que se trata de uma versão é o fato de que a banda sempre coloca seu estilo na música, de forma que ela soe verdadeiramente como Type O Negative. Um caso bem emblemático é "Summer Breeze". Ela foi lançada no álbum Blood Kisses, de 1993, e tem o som bem lento e pesado característico do doom feito pela banda. Contudo, a música foi composta pela banda Seals and Crofts e lançada em 1972, chegando até a atingir a 6ª posição no ranking da "Billboard Hot 100", nos Estados Unidos.  
  

Sei que é tudo uma questão de quebra de expectativa, você conhece a música por determinado interprete e tende a ver aquela versão como a "original", mas eu, pelo menos, sinto o "impacto" Haha. E aí, você já sabia ou desconfiava de alguma dessas versões? Tem outras bandas para “desmascarar”? Me fala aí nos comentários que estou louca para saber!


Bloddy Kisses




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28 de junho de 2018

O Vilarejo


Quando uma antologia de contos consegue te fazer prender a respiração e estremecer sem ajuda de fantasmas, monstros e outras criaturas do além, devemos parar para enaltecê-la. Esse é o caso de O Vilarejo, do brasileiro Raphael Montes.
O Vilarejo é um lugar isolado, desolado por uma guerra civil e assolado por um inverno rigoroso. Com a escassez de alimentos devido à neve e o medo das barbaridades e consequências da guerra, a atmosfera é de uma tensão crescente, transformando o pequeno local em um lugar onde ninguém gostaria de morar. Entretanto, a cada passar de página, descobrimos que não é só por isso que este Vilarejo é um lugar inóspito.

O vilarejo vem sendo dizimado a cada dia. As mortes são frequentes e o luto se sentou à mesa. Ninguém chora os mortos. Não podem desperdiçar energia lamentando a partida dos que não suportaram o frio e a fome.”

O livro tem sete capítulos, no qual cada uma leva o nome de um dos sete reis do inferno que, por sua vez, originaram cada qual um dos sete pecados capitais. Então, vemos personagens dominados pela Gula (Belzebu), Ganância (Mammon), Luxúria (Asmodeus), Ira (Satan), Inveja (Leviathan), Preguiça (Belphegor) ou Orgulho (Lúcifer) e como esses sentimentos podem dominar uma pessoa, destruindo todo o seu senso de civilidade e humanidade.

A obra é escrita no estilo fix up, no qual os capítulos que compõe a obra pode ser lido separadamente, sem prejuízo algum para o entendimento, porém, se conectam em algum ponto, formando, assim, um romance. No caso desta obra, a conexão está no próprio vilarejo onde as histórias ocorrem. Desta forma, os capítulos se passam cada um em um núcleo, numa determinada casa do vilarejo, porém, as histórias eventualmente citam algum personagem de outros capítulos e assim se entrelaçam. Como as situações são criativas e o enredo bem escrito, por mais que você consiga prever o que pode acontecer algumas vezes, a descrição consegue te pegar de maneira extremamente eficiente.

Eu preferi fazer a leitura sequencial da obra para melhorar a imersão na atmosfera do lugarejo e tentar pegar o máximo de detalhes possíveis. Não me arrependi da minha escolha e tenho certeza que a leitura foi bem mais proveitosa assim, pois, tendo as histórias bem vivas na mente você consegue construir (e desconstruir) a visão dos personagens ao longo da leitura.
Assim como em “Escuridão Total Sem Estrelas”, o que mais assusta aqui é ver como o ser humano consegue ser mesquinho, vil e odioso. Em histórias relativamente simples, o autor consegue trazer características complexas da natureza humana, que são, muitas vezes, potencializadas em tempos de crise. O que, a primeira vista, é um lugarejo onde todos se conhecem e têm uma convivência harmoniosa pode ser, na verdade, um lugar onde a podridão da humanidade está enraizada profundamente.
Um recurso interessante aplicado na obra é o prefácio escrito numa espécie de metalinguagem, no qual o autor conta como supostamente entrou em contato com as histórias narradas no livro, se afirmando como simplesmente um tradutor dos ocorridos no O Vilarejo. Tanto o prefácio quanto o posfácio são inteiramente construídos com essa ideia, o que é um grande mérito do autor na construção da aura misteriosa e macabra do livro.
A escrita de Raphael Montes é bem direta e fluída, entregando capítulos curtinhos e um livro de 96 páginas. A falta de descrição, que poderia ser um problema para alguns leitores de suspense/ terror, acaba sendo algo que encaixa muito bem na proposta da obra, pois, já no prefácio Raphael nos conta como a única ajuda conseguida para traduzir os escritos de uma língua (morta) original para o português, foi um velho dicionário. Embora seja um livro que pode ser lido de uma vez, acredito que você pode precisar de uns intervalos para respirar. Muitas cenas são viscerais e a narrativa é bem direta, mesmo abordando temas delicados como canibalismo e pedofilia.
Foi o primeiro livro do autor que li e o conjunto da obra me impressionou bastante, tanto com a criatividade das histórias quanto a condução da narrativa. Sem dúvidas, é um autor que manterei no meu radar e procurarei mais obras.
O livro foi lançado pela editora Suma de Letras e tem uma edição muito bonita, com trabalho de capa e diagramação lindíssimas. Além disso, conta com 14 grandes ilustrações do artista Marcelo Damm (entre as quais estão as que ilustram este post), que retratam algum ponto da narrativa e te ajudam a construir a imagem horrenda ali descrita.
Raphael Montes foi um dos convidados do Salão do Livro do Piauí (SALIPI) deste ano (2018), apresentando uma palestra intitulada “Crime, Verdade e Ficção”. Na oportunidade, o autor falou sobre seus livros, incluindo o recém lançado "Jantar Sangrento", respondeu perguntas dos presentes e autografou livros. Foi uma boa palestra e uma grande oportunidade de prestigiar um autor nacional deste gênero ainda pouco valorizado.




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4 de abril de 2018

Ar Frio

O post de Março para o Projeto Um Ano Com H. P. Lovecraft será sobre o conto "Ar Frio", vez que “A Cor Que Caiu do Espaço”(oficial para o mês) já tem post AQUI. Ao contrário do que muitos pensam, o legado de Lovecraft vai bem além dos "Mitos de Cthulhu", abrangendo contos que formam o chamado "Cliclo dos Sonhos", além de outros de horror "puro”. A influência de Poe e Chambers é mais evidente nesta última categoria, que é também onde está a obra de que falarei hoje.
Procurei não revelar tanto sobre o conto, porém devido o seu tamanho e minha necessidade de apontamentos, é bem difícil dizer se consegui. Se você é sensível a spoilers, leia por sua conta e risco. Os que, assim como eu, acharem que o importante é o desenvolvimento e não apenas os acontecimentos, boa leitura!

           "Ar Frio" (ou "Vento Frio" dependendo da edição) foi escrito em 1926, porém publicado pela primeira vez apenas em 1928, na revista “Tales of Magic and Mystery”. Antes, porém, foi rejeitado pela Weird Tales, aparentemente pelo receio do editor que o final pudesse  atrair a censura. O conto se passa na nossa realidade factual, utilizando apenas de artifícios científicos para introduzir o pungente horror da narrativa. Traz uma narrativa em primeira pessoa dedicada a explicar a razão pela qual o narrador sente repulsa do frio como alguém sente de um  mau cheiro.

O protagonista nos explica que após muito procurar uma hospedaria que mesclasse boa integridade física, limpeza e preço justo, findou por se conformar com uma antiga mansão que funcionava como pensão. Poucas semanas após sua entrada, começou a reparar coisas estranhas. A primeira foi uma infiltração que parecia vir do andar de cima e cujo liquido cheirava a amônia. Ao questionar a senhoria da casa, descobriu que a causa deveria ser o morador do quarto acima, conhecido como Dr. Muñoz, médico aposentado e recluso que sofria de uma grave moléstia para a qual vivia testando experimentos.

Devido aos seus problemas cardíacos, o narrador, certa vez, precisou de ajuda e recorreu ao Dr. Muñoz, que prontamente o salvou. Pela gratidão, o narrador se viu impelido a fazer pequenos favores ao senhor, desde visitas frequentes, até suas compras.

           A temperatura congelante do quarto do médico, o forte cheiro de amônia e o aparente desdém do velho com a morte causavam certa repulsa no protagonista. No entanto, ele se continha por saber que a baixa temperatura era imprescindível para o tratamento encontrado pelo médico e que a amônia era "combustível" do mecanismo responsável pelo resfriamento.

Mesmo com a crescente aversão pelos frios aposentos do doutor, o narrador continua a visitá-lo e  ajudá-lo como pode. Contudo, as coisas saem do controle quando, em uma madrugada, a máquina responsável por refrigerar o quarto do velho para de funcionar.
Um dos méritos da obra é a ambientação, que foge do clichê e não se ampara na escuridão ou lugares ermos. Ao invés disso, foca-se na atmosfera gélida e nos cheiros estranhos de um quarto, no meio de uma pensão movimentada, em plena Nova York de 1923. O desfecho do conto é muito bem feito e, mesmo que não te deixe surpreso como deve ter deixado os leitores da época, vai te deixar, pelo menos, satisfeito.

        "Ar Frio" é desprovido de horrendas criaturas alienígenas ("Dagon" e "O Chamado de Cthulhu"), desvencilhando-se dos Mitos de Cthulhu, do Ciclo dos Sonhos e encaixando-se perfeitamente como um típico conto de horror. Lovecraft era um fã assumido deste tipo de história, citando sempre Edgar Allan Poe como uma inspiração, o que fica evidente em obras como esta. A partir disso, podemos traçar alguns comparativos entre esta história e algumas de Poe.

Recursos comumente utilizados por Poe e empregados neste conto são: o narrador sem nome que se dispõe a relatar o motivo de sua perturbação, a utilização de aparato científico ou pseudocientífico para embasar a narrativa e a inserção de elementos autobiográficos. Em “O Enterro Prematuro”, por exemplo, Poe citou o uso de baterias que pode ser visto como “ancestral” do desfibrilador. Da mesma forma, o processo de refrigeração aqui citado pode ser tido um “embrião” da criogenia.

"Ar Frio" é constantemente comprado a um conto específico de Poe (Os fatos sobre o caso do Sr. Valdemar), creio que por proporcionarem ápices semelhantes. A obra de Poe narra uma experiência médica envolvendo hipnotismo em um paciente moribundo. Ainda assim, Lovecraft chegou a dizer que o conto que inspirou o seu foi “The Novel of the White Powder”, de Arthur Machen.

Quanto aos elementos autobiográfico contidos nesta obra, podemos destacar o próprio narrador, que consegue “um trabalho editorial tedioso e mal remunerado em uma revista em Nova York”, assim como o próprio Lovecraft que nunca encontrou sucesso em vida, se mantendo de publicações, na maioria das vezes mal remuneradas,  em revistas pulp. Ao procurar uma hospedaria, o protagonista enfatiza que não é seu objetivo ficar ali muito tempo, apenas busca um local para “hibernar até que pudesse voltar de fato à vida”. Lovecraft escreveu o conto durante sua infeliz estadia em Nova York, e da mesma forma, almejava voltar "à vida" em Providence, sua amada cidade natal. Outra semelhança entre o autor e o narrador é a sensibilidade ao frio.

Recomendo a leitura de "Ar Frio" tanto para quem já leu algo de Lovecraft quanto para quem quer conhecê-lo. Independente das inspirações literárias ou reais, o conto se sustenta muito bem tanto em sua premissa quanto na ambientação e execução. É um dos meus contos de horror favoritos e, mesmo tão curtinho, nos dá um ótimo panorama da habilidade de Lovecraft com a escrita.

O conto foi adaptado várias vezes para filmes e televisão e para as histórias em quadrinhos algumas vezes, uma delas ilustrada pelo grande Bernie Wrightson e outra nas histórias do Batman (The Doom That Come to Gotam), onde Mr. Freeze é uma “versão” de Dr. Muñoz.
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28 de março de 2018

Efeito Dominó

Nos últimos meses, especialmente os dois anteriores, eu estava conseguindo manter uma boa frequência de postagem aqui, o que me deixou muito feliz. Porém, as coisas começaram a desandar no final de fevereiro.


Tudo começou com uma meta frustrada, que foi a leitura de "Nós" para o projeto Fim dos Tempos. Eu atrasei a leitura e como queria encerrar o mês de fevereiro com a postagem a respeito do livro, acabei não escrevendo outra coisa, para não colocar na frente. O problema foi que o mês de março chegou e trouxe várias formaturas de amigos consigo, além da volta às aulas da faculdade, me deixando ainda mais sem tempo tanto para escrever quanto para terminar a leitura.
Somente no dia 11 de março eu finalizei "Nós" e como ainda não tinha "digerido" bem a obra,  comecei a escrever sobre outro livro que (re)li esse ano, "Drácula". Foi uma coisa muito boa de se fazer porque além de controlar o efeito dominó de ausência de escrita, ainda falei do livro que é um dos meus favoritos da vida, o que havia procrastinado até hoje. Além disso, consegui tirar e editar algumas fotos para o post que me deixaram bastante satisfeita. Melhorar na fotografia é uma meta antiga e qualquer minúscula evolução já é motivo para comemorar.
Voltando aos livros, eu tenho certa dificuldade em escrever sobre as obras que mais gosto e, sem dúvidas, a de Bram Stoker se enquadra nessa categoria. Está aí o porquê do post sobre Wuthering Heighs só ter saído este ano também. Ainda faltam títulos como Frankenstein, O Retrato de Dorian Gray, Sandman, Watchmen, V de Vingança e vários contos do Lovecraft, mas devagarinho a gente chega lá...
Gostaria muito de conseguir escrever sobre todas as minhas leituras e postar sobre todos os filmes que vejo, acho que seria legal como indicação e também para mim, como uma espécie de catalogação, porém não sei se daria muito certo. Como vocês já devem ter reparado, sou uma pessoa prolixa e tantos posts me custaria bastante tempo. Pensei também em fazer posts com 3 ou 5 filmes por vez, mas isso seria ainda mais trabalhoso, porque eu ficaria frustrada tentando fazer com que eles não ficassem gigantescos e provavelmente ou falharia miseravelmente ou não sairia satisfeita com o resultado.
Enfim... Voltamos à programação normal e vou tentar encontrar uma forma de falar de filmes, sem ser exaustiva e de não deixar as leituras atrasadas interferirem no ritmo de postagem do blog, espero conseguir!



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22 de março de 2018

Nós - Yevgeni Zamyatin


"Nós" foi o livro escolhido para iniciar o Projeto Fim dos Tempos. A obra foi escrita em 1920/1921 por Yevgeni Zamyatin e é considerado a primeira distopia. Entre os autores influenciados pela obra está Adous Huxley, renomado no gênero supracitado e ficção científica.
Arte de Eda Akaltun
A trama se passa em futuro distópico, no ano de 3000, quando a sociedade evoluiu com base nos padrões lógicos e é organizada de forma totalmente racional, prezando sempre pela organização e razão e quase extinguindo coisas como sentimentos. O lugar é regido por um governo totalitário, o Estado Único, que determina as horas para todas as coisas. Assim, todos têm a hora pré-estabelecida  para acordar, fazer a higiene pessoal, as refeições, exercícios, trabalhar e até sexo. Este último é regulado através de cupons que estipulam os dias e horários, vez que toda pessoa pode escolher qualquer outra para ser seu parceiro sexual. 
A ideia central é que o Estado Único promove a felicidade de seus cidadãos, dando-lhes uma sociedade sem pobreza, sem fome, sem violência, sem vícios ou drogas e tratando absolutamente todos igualitariamente, em troca, suprimem "apenas" o direito à liberdade. Desta forma, vemos um lugar com pessoas de comportamentos completamente engessados e presos aquele cotidiano estabelecido. A falta de individualidade é representada principalmente por dois fatos: Primeiro, as pessoas não possuem nome e sim uma letra (para designar o sexo) seguida de um número para lhes representar. Segundo, que as paredes e edificações são todas de vidro, reforçando o pressuposto de que ninguém tem nada a esconder de ninguém.


A premissa do livro é muito boa, traz a história de D-503, um engenheiro responsável pela construção do Integral, nave cuja missão é transportar odes, poemas e outras obras que levem para outros mundos a beleza da sociedade unificada pela razão. O construtor é também nosso narrador e, assim, vemos como sua vida era feliz. Ele era uma molécula do Estado Único, que compreendia e até adorava essa sua condição de ser uma parte do todo, ter seu papel e nenhuma individualidade. O título é "Nós" justamente porque é o nome que leva a obra escrita por D-503, uma ode ao brilhantismo do Estado Único. "Nós" dá a ideia de unidade, de coletividade. "Nós" é o todo unificado que é o Estado Único, onde cada um é uma parte infinitesimal do todo e o "Eu" não existe. 
No entanto, a felicidade de nosso protagonista acaba quando ocorre seu encontro com a personagem E-330. Desde o primeiro momento ele tem uma repulsa instantânea por ela, porém só percebemos o porquê disso depois. O impacto causado pelo encontro é profundo nas crenças e sentidos do protagonista, ocasionando um desmantelo de tudo que ele tinha como certo. Isso causa até uma especie de colapso no personagem quando da "percepção da existência da alma". Essa mudança de paradigmas é vista como doença porque nesta sociedade organizada por números são incomuns questionamentos filosóficos acerca da vida, da existência e dos sentimentos. 
É interessante ver o impacto do imprevisto, do errado (representado por E-330), numa mente onde tudo tem seu lugar, segue um padrão. A ojeriza, a primeiro momento, vai dando lugar para o fascínio e até amor, mexendo completamente com a cabeça do protagonista, nascido e crescido vendo tudo correndo na ordem. As ideias passadas para o papel nos dão o panorama da visão inicial de D-503 e vamos acompanhando as mudanças, questionamentos e reflexões dele acerca de como as coisas são e se aquele é o melhor jeito delas acontecerem. 
         Conformismo absoluto e felicidade, dúvida e angústia, revolução e medo, loucura e paixão são alguns dos pensamentos e sentimentos que permeiam o protagonista no decorrer da trama. Há sempre ênfase na dualidade interna e insegurança dele, que acabam sendo passadas para nós e promovendo reflexões sobre a felicidade e a liberdade. Também estimula o exercício de imaginação sobre a possibilidade de o homem poder se desapegar de seu lado emocional e viver plenamente guiado pela razão, como uma máquina. 

          Até a narrativa é meio mecânica, o que pode ajudar a emergir na história, mas também atrapalhar um pouco o ritmo da leitura. Por vezes é meio confuso entender o que está acontecendo e a importância disso, mas ao longo da leitura você vai se acostumando e respondendo mais rápido a essas situações. 
A história é muito interessante e é sempre muito bom conhecer os pioneiros dos gêneros, ver a fonte onde autores queridos e/ou renomados se inspiraram, o que foi copiado ou aprimorado. Neste caso, o ponto alto, para mim, foi a originalidade do roteiro. Os pontos fracos são coisas que fazem sentido na história, mas poderiam ter sido melhor trabalhados: a narrativa meio confusa já citada e a mudança do personagem, outrora frio e depois excessivamente sentimental. 
Devido às criticas sociais que o livro carrega, "Nós" não só não foi publicado primeiro no país de origem do autor, a Rússia, como também foi motivo de problemas de Zamyatin com o governo dos bolcheviques. O autor foi exilado de seu país natal duas vezes, uma das quais ele mesmo escreveu uma carta ao Qzar requisitando a saída do país, pois não aguentaria a morte literária que lhe era infligida, proibindo qualquer publicação de seus escritos. "Nós" só foi publicado na Rússia 60 anos após seu lançamento e Zamyatin morreu longe na pobreza e quase sem reconhecimento. 
Seu legado, porém serviu de inspiração para diversos livros e criou o gênero das distopias, abrindo as portas para obras clássicas como Admirável Mundo Novo, Laranja Mecânica e mesmo livros mais novos como Jogos Vorazes. 
Coincidentemente, dia 14 de março foi "Dia do PI" e como uma data comemorativa poderia me lembrar mais o livro do que essa? Fica aí o doodle do Google em homenagem a esse dia para provar que é real e oficia! Haha


Espero que tenham gostado, que acompanhem as próximas resenhas do projeto Fim dos Tempos e que, se puderem, se juntem a nós nas leituras! 
Beijo e até mais!






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16 de março de 2018

Epica - The Ultimate Principle Tour

          Quando comecei a escutar metal, as bandas de symphonic metal foram as primeiras que conheci. Nightwish, Epica, Within Temptation, Xandria, Theatre of Tragedy eram algumas das minhas favoritas.


            Com o passar do tempo, fui conhecendo outros subgêneros do metal e me apaixonando por outras bandas, outros estilos, indo gradativamente para as vertentes mais pesadas e deixando o metal sinfônico mais de lado, ao ponto de quase não escutar mais as bandas que adorava aos 14 anos. Não é que eu tenha deixado de gostar, apenas não tinha mais tanta identificação com a sonoridade como tive outrora e dada a vastidão de boas bandas de Metal, acabei me apegando a outras que representam mais o que gosto hoje.
             O fato é que a banda holandesa (já citada) Epica confirmou show em Fortaleza e isso mudou umas coisas. Por mais que eu não escutasse mais a banda há um bom tempo, ela me traz muitas lembranças de adolescência e a Thays de 15 anos, que morava no interior e juntava todos os trocados que podia só para ir aos shows que queria, iria enlouquecer se soubesse que teve oportunidade de ver esse show e a desperdiçou. Essa situação é compartilhada por várias amigas minhas e por isso, decidimos que iremos. A partir deste momento voltei a escutar a banda e, em especial, os novos discos que eu já não conhecia. Está sendo incrivelmente nostálgico reouvir as músicas antigas e mesmo as novas. Sentir aquela antiga empolgação voltando e relembrar como eu adorava ouvir os discos e o DVD da banda (tanto que tive que regravar mais de uma vez devido os arranhões).
            Outra coisa que será sensacional do show é ter a oportunidade de vê-lo com algumas das minhas melhores amigas. Vai ser muita emoção nos reencontrarmos, vermos o show e reviver nossos 14 anos. Algumas delas que são mais sensíveis já escuto chorando de agora (Milena, é você mesma!)... Hahaha
           Enfim, escrevi só para registrar como é interessante ver que as situações mudam, nossos gostos mudam, mas um resgate a velhos amores muitas vezes é encantador e muito satisfatório. 
             E você, que bandas amava na adolescência, hoje em dia mal escuta, mas se tivesse a oportunidade de ver ao vivo não pensaria duas vezes?


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13 de março de 2018

Drácula - Bram Stoker



Se tem um clássico de terror que todo mundo deveria ler, com certeza, é Drácula, de Bram Stoker. É difícil falar desta obra por causa das diversas adaptações do próprio Drácula e do mito que ele ajudou a fixar no imaginário popular.

O livro é uma transcrição de cartas e diários dos personagens da história. Adoro esse recurso, acho que ele nos dá uma visão mais completa dos sentimentos e percepções de cada um e uma riqueza de detalhes muito gostosa de conhecer.
O enredo tem seu inicio com a viagem de Jonathan Harker ao castelo de Dracula, na Transilvânia. Ele é um jovem advogado e sua viagem tem o intuito de auxiliar o conde em transações jurídicas relativas a aquisição de propriedades na cidade de Londres. Aos poucos, Jonathan percebe que há algo de errado com seu anfitrião e o castelo onde está. Se vê sem saída quando da partida do conde rumo a Londres, o deixando para trás. Numa tentativa desesperada, ele consegue escapar e voltar para Londres e para sua noiva, Wilhelmina (ou simplesmente Mina).
Infelizmente, o destino do jovem não se desvincilha tão fácil do de Drácula. O que poderia ser uma conexão macabra entre os dois piora ao mudar o foco de Jonathan para Mina. A influência que o Conde consegue sobre ela e os desígnios sombrios dele para seu destino amedrontam não só seu noivo, mas todos os amigos que os cercam.

O livro tem diversos méritos e, apesar de ser um romance gótico (com uma donzela em perigo e algumas passagens que podem ser consideradas bem machistas), apresenta uma figura feminina principal admirada pela inteligência e perspicácia, que tem um papel importantíssimo na história. Mina é quem liga pontos imprescindíveis da investigação, que inspira os homens com sua coragem e que domina coisas como a datilografia, que mesmo entre os homens da época era uma habilidade notável.
Além disso, a construção das tramas e subtramas é feita magistralmente. Fatos que não tem correlação, a princípio, se mostram intrincados posteriormente. As coisas vão se amarrando uma a uma e nada é colocado em vão, muito menos de qualquer forma. A apresentação dos personagens, até os secundários, é muito bem feita, nos deixando curiosos pelas próximas aparições não só do grupo de "mocinhos". Inclusive, as passagens em que são narradas as mudanças de comportamento de Renfield (um paciente do hospício em que trabalha um dos mocinhos) estão entre as minhas favoritas.
Outro ponto que quero destacar sobre o livro é primeira aparição do maior antagonista dos vampiros de todos os tempos, o professor Van Hellsing. Ele é apresentado neste livro e tem papel de destaque no desenrolar da trama. Entretanto, creio que sua criação foi inspirada em um personagem do conto Carmilla, assim como as sedutoras mulheres vampiras do castelo do conde.


Drácula é uma obra prima e  o que unificou o mito do vampiro. Muitos filmes, livros, séries, jogos e músicas foram inspirados nele. Algumas adaptações cinematográficas não conseguiram usar os nomes dos personagens devido os direitos autorais, outras modificaram mais a essência dos personagens, dando ao conde sentimentos mais humanos e até uma redenção, outras o retrataram como o monstro descrito por Bram Stoker (obrigada, Penny Dreadfull!). Mais ou menos fieis, pelo menos 3 versões do clássico para as telonas são amadas.
Quanto as músicas, a influência de Drácula é bem abrangente. Temos bandas que adotaram o estilo vampiresco, como o Type O Negative, Blutengel e Cradle of Filth, aquelas que têm referência no próprio nome, como Nosferatu e aquelas que tem músicas inspiradas no romance de Bram Stoker ou nos filmes derivados dele, como o clássico "Transilvanian Hunger" do Dakthrone, "Dracula" de Bruce Dickinson, "Dracula" da banda Iced Earth e "Lovesick for Mina", da já mencionada Cradle of Filth. Esta última banda figura entre as minhas favoritas porque traz em suas músicas melodias incríveis e uma abundância de referências em suas letras.
No caso de "Lovesick For Mina", a letra composta por Dani Filth traz a voz do próprio conde, apesar de não mencionar seu nome em nenhum momento. Ela narra a "doença" do vampiro, obcecado por Mina. Algumas partes falam da "hora mais escura", pouco antes do amanhecer e do crepúsculo. Ambos são muito importantes na história pois são os momentos de menor e maior influência do conde sobre Mina. Pelo teor da letra, vemos que a música é inspirada muito mais nos filmes do que no próprio livro, já que foram eles, especificamente o de Fracis Ford Coppola (1992) que retratou Mina como a reencarnação da esposa de Drácula. Em uma parte da música, inclusive, ele cita "Ellen", nome que Mina recebeu na adaptação de Murnau (Nosferatu -1922). As melodias, os riffs de guitarra e o vocal passional de Dani transbordam a música de sentimentos e, quem já viu os filmes (especialmente o de Coppola) vai conseguir sentir bem a aura do filme.


Me conta aí nos comentários se você já leu Drácula, se conhece alguma música inspirada no livro ou se tem algo para acrescentar ao post ou alguma sugestão também!
Beijão e até mais!
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