13 de outubro de 2016

O Caixão Quadrangular, #12MesesDePoe

No conto de Setembro para o #12MesesDePoe tivemos "O Caixão Quadrangular", publicado pela primeira vez em 1844. Este conto tem seu forte na construção da atmosfera do suspense que é criada pela curiosidade do narrador acerca de certo objeto. 


A história tem seu inicio com o narrador falando sobre uma viagem que está prestes a fazer para Nova York, cujo trajeto será feito de navio. Quando vai a embarcação para acertar alguns pormenores de seu aposento, descobre que também estará a bordo um grande amigo seu, Cornélio Wyatt, junto de suas duas irmãs e sua esposa (a quem o protagonista ainda não conhecia). Ao ver que estes tinham reservado 3 cabines, notadamente “uma a mais” que o necessário, o narrador fica um pouco curioso porém atribui a alguma excentricidade do amigo que é pintor e dono de um “temperamento comum dos gênios, formando um conjunto de misantropia, sensibilidade e entusiasmo”.
Na partida do navio, três coisas causam estranhamento no narrador: a contradição do amigo ao descrever a aparência de sua esposa, o comportamento do próprio Wyatt (que mal se aproxima de sua esposa), e, ainda mais, o fato de Wyatt ter trago a bordo um caixão quadrangular, o que acaba sendo alvo da curiosidade do narrador.  
Durante a viagem, o mal tempo persistente obrigou os passageiros a abandonar o navio em pequenos botes, porém perturbado com o fato de não poder levar o caixão junto a si, Wyatt acaba se jogando ao mar para resgatar o objeto de sua obsessão, ato que tem um desfecho trágico e deixa todos pesarosos. O conteúdo do caixão, bem como o motivo do desespero e infortúnio de Wyatt nos é revelado posteriormente numa conversa do narrador com o capitão do navio, e, aposto que se você adivinhou, não foi seu primeiro chute! Haha
O enredo é bem simples, mas o constante mistério do conteúdo do caixão e a razão para o comportamento estranho de Wyatt são o suficiente para manter o leitor preso na história e curioso pelo desfecho. Poe era mestre em desenvolver essa aura de mistério em seus contos e esta curta narrativa nos prova mais uma vez isso.
Aqui não posso dizer que houveram muitos elementos familiares a escrita do autor, mas com o final acho que é impossível não ter a sensação de que algo daquela ficção descrevia os próprios sentimentos do autor, em algum momento, e a agonia que Wyatt sofria, ele mesmo já teria experimentado, de forma que sabia bem como a dor afetaria o comportamento de alguém.
A cada conto lido eu tenho a impressão de conhecer um pouco mais da personalidade do próprio autor. Conhecendo um pouco, ao menos, da vida que Poe teve, suas conquistas e suas perdas, refletir e escrever sobre suas obras se torna algo mais pessoal. Há sempre algo que podemos atribuir a uma experiência sua e sentir ainda mais vivos os tormentos retratados em suas obras, vocês tem essa mesma impressão?
Estamos chegando na reta final do primeiro ano do #12MesesDePoe e nem preciso dizer o quão válida e maravilhosa foi essa iniciativa. Muita gente conhecendo as obras do autor, relendo seus contos e discutindo sobre suas importantes colaborações para o mundo literário e isso é sensacional.
Espero que estejam participando do projeto e gostando dos post tanto quanto eu gosto de escrevê-los!


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2 comentários :

  1. Cara que demais, eu senti um terror absurdo lendo tua resenha, estou bem curiosa em saber o que tem nesse caixão(que a principio pensei ser um vampiro é claro rsrsrs).
    Seu blog é lindo e super delicado, estou voltando a blogar, e com certeza voltarei por aqui =D
    Sexo, Fraldas e Rock'n Roll

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    Respostas
    1. Que bom que gostou Paola! É um conto bem legal e ler Poe é sempre sinal de tempo bem gasto.
      Muito obrigada! Fico feliz que esteja voltando com o blog, eu costumava acompanhá-lo e agora ficarei de olho outra vez! :D

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