12 de agosto de 2016

A Sombra de Innsmouth

No dia 20 de agosto de 1890, nasceu Howard Phillips Lovecraft. Dono de um senso crítico incrível, Lovecraft conseguiu definir a estrutura ideal dos contos de horror e escreveu obras icônicas seguindo essa fórmula. No seu mês de aniversário, haverá um pequeno especial de posts sobre suas obras e obras inspiradas em seu Universo.
Para começar, escolhi a única obra lançada em livro durante a vida do autor* e que também é uma das minhas favoritas: A sombra sobre Innsmouth. Instigante e aterrorizante, este livrinho de 129 páginas tem um poder impressionante de fisgar o leitor e deixá-lo cada vez mais ansioso pelo desenrolar da história.
By Joel Harlow
O conto é narrado por Robert Olmstead, que está viajando pelo país em busca de antiquários, arquitetura antiga e sua própria genealogia. Ele se depara com Innsmouth quando é apresentado à opção de economizar algum dinheiro pegando um ônibus até lá para de lá pegar outro até seu destino. Ninguém recomenda que ele faça isso, pelo contrário. As pessoas o desencorajam com inúmeras advertências que vão desde a falta de hospitalidade com forasteiros até a grotesca aparência dos nativos que dizem sofrer de uma bizarra doença cutânea. 
Ficamos sabendo que apesar de nem constar mais em mapas, Innsmouth foi uma próspera cidade portuária onde os peixes nunca ficavam escassos. Rumores davam conta de que a cidade era dominada por cultistas de estranhas criaturas marinhas, até ser atingida pela Peste, em 1846. Não se sabe exatamente qual a doença que acometeu aquele lugarejo, porém após a epidemia a cidade passou por um período de isolamento e ruiu aos poucos, até se transformar naquele lugar decadente.
Apesar dos avisos, Robert é movido pela curiosidade e resolve incluir Innsmouth em seu percurso. Já na ida, no estranho ônibus, nota a aparência esquisita que os habitantes de lá apresentam, bem como o desconforto dos innsmouthianos~ com sua presença.
Ao chegar à cidade, o narrador percebe a falta de transeuntes nas ruas e estranhos vultos esgueirando-se pelas sombras. Explorando a arquitetura, acaba encontrando um velho bebarrão da cidade, que lhe conta uma história de como a cidade se transformou no cenário fantasmagórico que o narrador vê. Contudo, é algo tão surreal que o protagonista julga ser apenas alucinação da cabeça do alcoólatra.  
Após um imprevisto, o narrador se vê obrigado a passar a noite em Innsmouth e aí as coisas se agitam. Robert descobre coisas que jamais imaginou e que podem mudar sua opinião sobre a história do velho.
By Mihail Bila
Será possível que nosso planeta tenha de fato engendrado tais criaturas? Que olhos humanos possam mesmo ter visto, na substância da carne, o que até então o homem só havia conhecido em devaneios febris e lendas fantasiosas? E no entanto eu os vi em fileiras intermináveis – debatendo-se, saltando, coaxando, balindo – uma bestialidade crescente sob o brilho espectral do luar, na sarabanda grotesca e maligna de um pesadelo aterrador.

A descrição dos lugares, personagens e acontecimentos é algo bem trabalhado no conto. Detalhes fazem diferença e nada é colocado sem propósito na narrativa: todos os acontecimentos apresentados têm reflexo na história posteriormente e isso é muito legal durante a leitura. O final é outro ponto forte dessa obra, pois é muito bem arquitetado para que não fiquem pontas soltas, mas ainda assim, consegue surpreender.
Nesse conto são exploradas facetas características do autor, como o questionamento do protagonista sobre a própria sanidade, o elemento desconhecido que vem causar horror sendo infiltrado no meio cotidiano, além de como o homem pode se colocar em situações terríveis, seja pela consequência de suas próprias escolhas ou por uma força invisível e antinatural.
Ainda assim, neste conto nos deparamos com um fato incomum nas obras do autor: o que houve em Innsmouth foi grande o bastante para ter que ser contido por uma providência do governo. Normalmente os terrores apresentados nas obras de Lovecraft ficam contidos em uma micro ou pequena escala, muitas vezes sendo visto ou sentido apenas pelo protagonista do caso.
Talvez eu tenha falado mais do que deveria da história, mas esse é um daqueles casos que saber como as coisas aconteceram é bem mais importante do que saber o que aconteceu. Justo por isso acredito que essa seja uma grande porta de entrada para os que querem conhecer o autor, pois faz com que fiquemos instigados a ler página após página até o final e a querer explorar mais o universo do autor após o termino.
Livro da Editora Hedra
Minha edição é a da Editora Hedra, que tem feito um excelente trabalho com as obras de Lovecraft, tanto pela quantidade de títulos lançados quanto pela qualidade e cuidado da parte gráfica. As capas são muito bonitas, os livros muito bem diagramados e, além disso, também trazem sempre algum material extra do autor que vão de biografia até algumas cartas escritas por ele. Uma ressalva sobre essa edição em especial fica na introdução, que entrega um pouco do livro e que por isso recomendo que só leiam após lerem o conto em si.



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2 comentários :

  1. É um conto maravilhoso, um dos meus preferidos do H.P Lovecraft.

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    1. Concordo inteiramente! Esse conto é incrível!
      Beijo e até mais, Quel! <3

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