30 de junho de 2016

O Enterro Prematuro, #12MesesDePoe

Hoje é o último dia de junho, momento ideal para falar sobre o último conto lido para o #12MesesDePoe, que se chama “O Enterro Prematuro”. Sempre gostei deste conto, então achei maravilhoso poder lê-lo novamente e vir compartilhar minhas opiniões a respeito aqui.


O conto é narrado em primeira pessoa pelo “já conhecido” narrador cujo nome não é revelado. Aqui, Poe nos apresenta um dos piores terrores que alguém pode vivenciar: ser enterrado vivo. A princípio, são narradas três histórias bem conhecidas (no contexto do conto) de pessoas que, levadas por circunstâncias bem diferentes, passaram por essa experiência horrível, mas que conseguiram se salvar após o desespero inicial de constatar onde estavam.  
“Ser enterrado vivo é, fora de qualquer dúvida, o mais terrífico daqueles extremos que já couberam por sorte aos simples mortais. Que isso haja acontecido frequentemente, e bem frequentemente, mal pode ser negado por aqueles que pensam. Os limites que separam a Vida da Morte são, quando muito, sombrios e vagos. Quem poderá dizer onde uma acaba e a outra começa?”
No que poderíamos chamar de segundo momento, o narrador começa a nos contar sobre sua própria experiência. Ele revela que sofria de catalepsia e várias vezes encontrava-se em surtos da doença, onde caía em sono profundo e seus sinais vitais eram apenas minimamente percebidos. A duração desses surtos era gradativa: algumas vezes era acometido de forma leve pela doença e passava algumas horas ou dias somente em sono profundo. Outras vezes porém, poderiam passar-se semanas em estado de semiconsciência.
“Catalepsia é um distúrbio que impede o doente de se movimentar, apesar de continuarem funcionando os sentidos e as funções vitais (só um pouco desaceleradas). A pessoa fica parecendo uma estátua de cera e muitas vezes é confundida como morta” 
Apesar de todas as precauções possíveis que o narrador havia tomado para não sofrer o tormento descrito no começo do conto, em um de seus surtos, achou-se em seu pior pesadelo ao confrontar-se com a escuridão total e pouco espaçosa do local, que logo deduziu ser um caixão. A descrição de seu relato leva o leitor a enxergar as angústias que ele viveu pensando estar confinado ao lugar dedicado aos mortos.
“(...) Os que dormiam, verdadeiramente eram muitos milhões menos do que aqueles que não dormiam absolutamente (...).”
Acho esse conto maravilhoso principalmente pela construção da atmosfera e descrição minuciosa de Poe, além de ter uma conclusão bem legal, a qual não direi. 

É interessante vermos relatos históricos sobre pessoas que eram enterradas vivas já que mesmo que os casos citados todos sejam fictícios, isso não era tão raro naquela e em outras épocas passadas (especialmente na era vitoriana). Outro fato interessante citado é o uso de baterias (preconizado por Luigi Galvani) que buscavam reanimar pessoas através da eletricidade, no que provavelmente é um ancestral do desfibrilador.

Os enterros prematuros (talvez devidos mesmo a catalepsia) também figuraram em outros contos de Poe, mas este é o que o tem como tema central. Recomendo bastante a leitura do conto e acredito que muito embora seja um relato ficcional, há informações bastante enriquecedoras que podem ser extraídas daí.





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2 comentários :

  1. Estou tendo dificuldade pra escrever sobre esse conto, porque o que quero dizer é só: "o conto é bom pra caralho, apenas leiam essa porra!" hahahaha
    Vou divulgar lá na página! <3

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    Respostas
    1. Eu entendo exatamente essa sensação! Hahaha
      Esse conto é muito bom, dispensa 'propagandas'. Além disso, ainda é complicado falar bem sem dar spoilers, mas acho que mesmo entregando muito, a graça do conto não se perde.
      Obrigada por divulgar! Estou esperando sua resenha! <3

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