20 de junho de 2015

Deuses Americanos, Neil Gaiman

Eis, que mais uma vez, vos trago uma obra de Gaiman! O escolhido da vez é o livro Deuses Americanos. 

Me envergonho em admitir que a minha leitura foi uma verdadeira saga de quase dois meses com este livro. Adoro Neil Gaiman (acredito que isso já ficou bem evidente, inclusive! *risos) por isso me espanta que eu tenha demorado tanto nessa leitura. 

Sabe aqueles momentos que uma combinação de fatores acaba te deixando meio atrapalhada, estressada e/ou sem foco? Então, foi exatamente isso que aconteceu e por isso, creio que não pude dar a atenção que o livro exigia desde o início. Quem já leu os livros do Neil Gaiman sabe que seu universo é muito rico e já espera por isso nas histórias. Nesse livro, esse universo demora um pouco pra se descortinar pra desespero dos impacientes e, talvez esse seja o motivo de seu alto índice de abandono com relação aos outros livros do autor. 

Se você não for um leitor muito imediatista ou impaciente, vai poder aproveitar bastante o livro, assim como eu, e depois que a história lhe pegar, duvido se você não vai ficar atento a cada detalhe da trama pra pegar o máximo das referências que puder! 
Antes de tudo, vale lembrar que essa não foi a primeira vez que eu me deparei com o personagem Shadow (protagonista do livro), já o tinha conhecido em um dos contos de Coisas Frágeis Vol. I (falei sobre ele aqui).

Em Deuses Americanos, vemos a história de Shadow começou bem antes do ocorrido no conto, em uma prisão. Ele está cumprindo pena e a alguns dias de ser solto, é liberado para poder ir ao enterro de seus dois entes mais queridos: sua esposa Laura e seu melhor amigo, falecidos em um acidente de carro.

No avião de volta pra ‘casa’, Shadow se depara com um homem misterioso chamado Wednesday, que  parece saber muito sobre ele.  Wednesday o cerca durante toda a viagem  oferecendo-lhe um emprego, prontamente recusado.

A morte de sua esposa e de seu melhor amigo somada a alguns fatos sobre os falecidos que ele toma conhecimento durante o enterro, fazem Shadow se ver sem perspectiva e sem lugar pra voltar. Isso  o faz voltar atrás e decidir aceitar o emprego oferecido pelo tal desconhecido, que implicaria em envolver-se em trapaças, brigas e outras situações embaraçosas, mas isso ele só descobriria depois.

                É ai que a história começa de verdade. De repente, Shadow se vê conhecendo um Leprechaun, recebendo visitas de sua mulher recém-falecida e Wednesday encarando tudo isso com indiferença. Pouco a pouco, ele vai descobrindo que os deuses da antiguidade vivem entre nós, tentando sobreviver com as sobras de adoração e lembranças das pessoas. 
Vemos que Wednesday não é um cara comum e que, na verdade, a viagem cruzando o país que está fazendo, tem o intuito de recrutar deuses e divindades de vários panteões para lutar a seu lado quando a guerra dos Deuses Antigos contra os Novos Deuses tiver início.


Na mitologia do livro, os deuses se alimentam de adoração e de crença e enfraquecem quando são esquecidos ou não mais adorados. Baseado nisso, vários dos antigos deuses se encontram fracos e quase sem nenhum poder, enquanto a tecnologia ou a internet, que são cada vez mais cultuados pelas pessoas hoje em dia, se tornam os novos deuses. 


Essa guerra seria, então, disputa por lugares que ambos (os velhos e os novos deuses) acabarão perdendo, pois no próprio livro nota-se que esses deuses sabem que a humanidade está cada vez mais se afastando de suas crenças e de seus costumes, logo, essa guerra é travada em vão. A frase “A America é um lugar ruim para deuses (novos ou velhos)”, que é enfatizada ao longo do livro, retrata justamente essa falta de crença e a natureza das pessoas em adorar e descartar as coisas tão fácil e rapidamente.


Então, você já sabe quem é Wednesday? 

                 Acho que essa é uma das referências mais fáceis de se pegar no livro, já que a origem do nome Wednesday é Odin’s day (dia de Odin), né?
Arte do premiado ilustrador Erik A. Evensen. Consegue reconhecer alguém?
Fora esse muitos outros trocadilhos com os nomes dos Deuses são utilizados e isso, sem dúvidas, é algo que enriquece muito o livro e te prende de uma forma impressionante porque você fica tentando pegar todas as referências, de que deus é tal indivíduo. 


O autor não subestima teu conhecimento, pelo contrário, ele supõe que você já tenha uma noção sobre o tema e isso acaba apimentando o desafio de não deixar nada escapar. Um exemplo disso e que me surpreendeu, foi a presença de "um certo rapaz bondoso, louro e jovem de nome Gwdyon", que pode ter passado despercebido para alguns, mas quem leu as Brumas de Avalon, sabe bem de quem se trata.


Mais um aspecto interessante do universo criado, é que Wednesday era o Odin levado para a América pela crença dos imigrantes, que não era o mesmo Odin que vivia nos países Nórdicos e provavelmente não era o mesmo Odin que foi levado a outros países por outros imigrantes.

Num trecho desse  livro Neil Gaiman fala uma coisa que achei bem interessante e que vejo muito nas redes sociais: o fato de as pessoas se interessarem por “simpatias”, “mandingas” ou mesmo se dizem ‘pagãs’, mas sem se importarem em saber a que deuses deveriam reverenciar em tais atos.  
Neil Gaiman no maior carossel do mundo? Quem já leu Deuses Americanos vai pegar a referência! ;)
Eu sei que o post já está imenso, mas não tenho como não falar das citações ou trechos canções que tem no inicio dos capítulos do livro, porque além de serem muito legais, sempre tem alguma relação com o que virá nas páginas seguintes.

Fora que, paralelo à narrativa da história o autor nos presenteia com histórias maravilhosas, tanto atuais quanto de eras passadas, que podem ou não, se conectar mais tarde com a história principal ou que podem muito bem ser lidas como extras. Eu particularmente AMEI esses interlúdios e tenho certeza que só elas reunidas em um livro seria o suficiente para fazê-lo de grande sucesso!

Espero que eu já tenha lhe convencido a ler esse livro, mas vou reforçar dizendo que todos os personagens são muito bem construídos, com suas características individuais bem definidas. 


Muitos têm Deuses Americanos como a obra prima de Neil Gaiman e esse  renome rendeu um contrato com a emissora de TV Starz para a produção de uma série baseada no livro, que terá como roteiristas e showrunners Bryan Fuller (Hannibal) e Michael Green (Heroes) e o próprio Neil Gaiman como produtor executivo.
Faz parte da arte conceitual da série de TV.
O livro pode ser facilmente encontrado gratuitamente em pdf e nas livrarias físicas ou virtuais com preço médio de R$ 30,00.

Espero que tenham gostado e me desculpem pelo post gigantesco...



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4 comentários :

  1. Eu tenho que me policiar, pois nunca li uma obra sequer do Neil. Já li alguns pedaços da hq Sandman, mas nunca li uma obra completa. São tantas que nem saberia por onde começar...

    Todo o universo que ele cria me parece interessante exatamente por incluir tantas (boas) referências nos mais diversos contextos.
    Eu odeio ler pdf, mas vou procurar esse livro pra conferir.

    Beijos!

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    1. Só tenho uma coisa pra lhe dizer, Sân: Vale muito a pena!
      Também não curto muito ler em pdf, mas é bom pra ver se você realmente vai gostar do autor e não correr o risco de comprar um livro e depois não gostar e ficar encostado... ^^
      O Neil Gaiman tem livros e HQ's pra todos os gostos e Sandman é sempre um ótimo começo!
      Beijão e até mais! :D

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  2. Amei a dica! Eu já tinha pensado em escrever um conto com uma proposta semelhante, e esta dica caiu como luva!
    Curti muito!

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    Respostas
    1. Que bom que você gostou, Vivien!
      A ideia é muito boa e abre muitas possibilidades, se você escrever esse conto, por favor me mostre, adorarei ler! :D
      Beijo!

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