14 de maio de 2015

Pagando Por Sexo, Chester Brown

Oi, tudo bem por ai?

O post de hoje, mais uma vez, é sobre uma Hq. Mesmo sendo auto-biográfia como outras que já foram mostradas por aqui, essa tem um viés bem diferente: 



Como o nome já sugere, Pagando Por Sexo mostra um pouco sobre a prostituição, mas de uma ótica que a encara como algo bem natural.
Aqui, Chester Brown retrata sua própria experiência, que após o fim de relacionamento, passa a desacreditar no ‘amor romântico’, ou relacionamento afetivo possessivo monogâmico, pra definir melhor. *risos
Capa da HQ
Ele passa a desacreditar que se possa ser feliz de verdade em um relacionamento assim e decide que não quer mais isso pra sua vida. Decisão tomada, após um tempo um problema surgiu e ficou latente: sem namorada, sem sexo!

Mesmo ouvindo de pessoas próximas que ele poderia conseguir sexo casual, sem a necessidade de um compromisso, Chester sabia que era tímido demais e desenvolto de menos para conseguir êxito em tal objetivo.

Depois de pensar em soluções cabíveis, decidiu procurar por uma prostituta. A HQ retrata sua insegurança sobre como agir e o que fazer diante da situação de estar com alguém pagando por sexo, nas primeiras vezes. 

A partir daí, isso vai se tornando tão habitual: uma solução economicamente viável para sua satisfação sexual, de uma forma bem racional. Tanto que ele até faz as contas e o planejamento de quantas vezes por semana, ou por mês, pode encontrar-se com uma garota de programa.

É importante deixar claro que, em momento algum, essa busca pelo sexo pago é tratada como devassidão ou perversão. 
A partir de então, a HQ traz um compilado dos encontros com prostitutas que o autor teve. Os traços são bem minimalistas, as moças com quem esteve são retratadas com algumas de suas características marcantes (mais altas, baixinhas, seios maiores, etc.), mas sempre são apresentadas com nomes diferentes dos reais. Tudo isso para proteger a identidade delas. 

Durante esses encontros, pelos diálogos e até devaneios do autor, somos apresentados às histórias de algumas das moças com quem sai, reflexões e pontos de vista acerca da prostituição, passando por temas como a descriminalização e legalização da profissão de prostituta e suas implicações. 
Em contraponto a ideia de normalidade que Chester cria sobre obter sexo mediante pagamento, vemos os diálogos dele com amigos, que não só não acham esse hábito normal , como também imoral. Por diversas vezes vemos discussões entre eles, onde o autor tenta mostrar a superioridade de independência do sexo pago sobre o relacionamento romântico.
"O amor é doação, partilha e carinho. O amor ROMÂNTICO é possessividade, mesquinhez e ciúmes. Acho que é a natureza excludente do amor romântico que o torna diferente dos outros tipos de amor. As mães que têm vários filhos amam todos eles. Quem tem vários amigos pode amar todos eles. Mas não se acha correto que se sinta amor romântico por mais de uma pessoa por vez. Acho que isso estimula certa mentalidade: o desejo de possuir outra pessoa. É o impulso do qual a escravidão nasceu." (transcrição dos quadrinhos da página 198)
Em algumas partes da história, vemos atitudes e situações claramente machistas, por trazer a mulher como um ‘objeto’, passível de avaliação e qualificação. No entanto, mais que um objeto, acho que se quis retratar a situação de prestação de serviço mesmo, sem qualquer sentimento ou afeto, uma relação pura e simplesmente profissional.
Depois da HQ, ainda há quase 50 páginas de apêndices, onde o autor argumenta e defende seu ponto de vista a respeito do sexo por dinheiro.

Há algumas coisas bem questionáveis, como a ideia dele de que essas relações sejam o futuro da humanidade, por assim dizer, mas como um todo é uma obra que vale muito a pena ser lida, justamente por apresentar pontos de vista diferentes dos que estamos habituados a ver em nosso cotidiano e em nossa sociedade. Isso apresenta novos paradigmas e nos leva a reflexões bem interessantes e construtivas a respeito não só da prostituição, mas de relacionamentos.

Pagando Por Sexo saiu pelo selo Editora WMF Martins Fontes, com uma introdução bem legal de Robert Crumb e tem preço médio de R$ 30,00.

Espero que vocês tenham gostado, beijo e até mais! ^^


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6 comentários :

  1. Tema polêmico, mas bem abordado, pelo que parece.
    A forma de falar sobre o assunto no texto é bem diferenciada.
    Beijos!

    PS: se o outro comentário anterior deu certo, pode apagar este! O Blogger não gosta de mim ;)

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    1. É bem interessante mesmo, Vivien! Nos mostra o tema por novos pontos de vista e é muito bom pra refletir e, quem sabe, criar novos paradigmas...
      Beijão!

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  2. Nunca tinha ouvido falar (nem da obra, nem do autor), mas o tema me parece bem interessante e vou correr atrás pra conhecer...

    Gostei bastante daqui, seguindo =)

    Beijão ;*

    Faroeste Manolo

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    1. É bem interessante mesmo, Marjory! Acho que se procurar encontre fácil ele em scan ou pdf e como a leitura é bem rápida, vale a pena pra ter outro paradigma pra refletir sobre o assunto!
      Obrigada e até mais! :D

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  3. Não tinha visto sobre essa HQ, mas é interessante a forma de abordar o tema de prostituição, principalmente de outro ponto de vista sem ser o que é geralmente visto por ai. Anotei a dica!

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    1. É uma obra bem legal pra refletir sobre o tema, Vân! Ter uma perspectiva diferente é sempre bom e enriquecedor, né?
      Beijo e até mais! ;)

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